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✒ Artigo

Gestão de crise de imagem pessoal nas mídias sociais

Quem aqui já denunciou algum conteúdo considerado ofensivo nas mídias sociais?

Aconteceu alguma coisa com esse conteúdo denunciado?

Houve algum feedback por parte da plataforma digital onde foi feita a denúncia?

Sejam as respostas positivas ou negativas, uma coisa é certa: todos nós precisamos gerenciar alguma crise de ordem pessoal, caso surja, nas mídias sociais.

Como reportei no artigo anterior, esse ambiente digital se transformou num grande observatório jornalístico onde acontece de tudo e, que o jornalista precisa de resiliência cibernética para acompanhar a narrativa que é feita neste espaço.

As próprias plataformas digitais, já percebendo a nocividade do que se dissemina por meio delas, atualizam suas políticas de uso contabilizando milhões de remoções de conteúdos considerados violentos; que promovem desinformação; com discurso de ódio ou que violem as regras de comunidade da plataforma.

Além das políticas de uso, ainda tem os canais de denúncia disponibilizados aos usuários. Entretanto, ao que parece, estes esforços, não têm se mostrado suficientes. Há vários relatos de pessoas que denunciam algum conteúdo e não acontece nada.

No caso da Patrícia Campos Mello, repórter e colunista da Folha de São Paulo, recentemente acusada de oferecer sexo em troca de uma reportagem sofrendo uma avalanche de ataques cibernéticos, sua experiência de usuária foi razoável.

Ela conta que obteve mais retorno do Twitter do que do Facebook, por exemplo. “Em todas as vezes que denunciei, no Twitter, um conteúdo ofensivo, houve uma remoção razoavelmente, rápida. Diferente do Facebook, que nunca aconteceu nada”, lembra a jornalista.

Mas, como, e por onde começar a gerenciar uma crise de imagem pessoal nas mídias sociais?

Não tem receita. Têm sugestões de protocolos que podem ser adotados para minimizar os efeitos de ataques pessoais na internet.

Vou compartilhar aqui algumas medidas básicas sugeridas na segunda aula do curso “Mídias sociais e jornalismo: reduzindo riscos e engajando audiência”, promovido pelo Instituto de Tecnologia & Sociedade Rio (ITS Rio) em parceria com o Redes Cordiais e apoio do Facebook Journalism Project.

As sugestões são voltadas a jornalistas para que se protejam contra o assédio online, fenômeno que tem crescido nos últimos anos contra a categoria, mas quem quiser pode adaptar à sua realidade:

1- Não misture o seu perfil pessoal e o seu profissional, tenha contas fechadas;

2- Tenha em mente que qualquer interação é sempre uma parte, não o todo de sua audiência;

3- A imprensa/mídia como instituição pode ser o alvo e não você em particular;

4- Reafirme para si o seu propósito como jornalista e seus valores;

5- Em caso de ilegalidades, tem o programa de orientação jurídica da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Posicionamento virtual x produção de conteúdo

A segunda aula do curso do ITS Rio, intitulada “Gestão de crises nas redes – riscos de presença on-line do jornalista”, foi ministrada pelo jornalista Guilherme Amado, colunista da Revista Época e Rádio CBN e Patrícia Campos Mello, recém ganhadora do Prêmio Maria Moors Cabot, da Faculdade de Jornalismo da Universidade Columbia (EUA), por sua carreira como repórter e pelo seu trabalho investigativo. Os dois jornalistas levantaram alguns pontos relativos a posicionamentos nas mídias sociais.

Para Patrícia, quanto menos o jornalista se posicionar politicamente nestes espaços de interação digital, tanto melhor para que não corra o risco de ter o seu conteúdo original editado, descontextualizado e disseminado como verdade. “A não ser que seja um comentarista de opinião. Do contrário, esse posicionamento, poderá refletir na maneira como é visto o seu trabalho”, opinou.

Na aula, também foram pontuadas as diferentes maneiras de interação nas mídias sociais e como agir em cada situação: comentários, críticas, ataques e elogios.

Maiara Pires

Maiara Pires

Jornalista, Escritora e Produtora de Conteúdo Multimídia. Saiba mais: https://linktr.ee/maiarapiresescreve

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