Monitorar é acompanhar de perto a execução de alguma coisa. De certa forma, é um termo novo para a quarta etapa do processo gerencial, o controle. Apesar de novo, há diferenças no detalhamento das etapas. Enquanto no processo de controle faz padronização, mensuração, avaliação e replanejamento, típico de sistema de produção já validado e consolidado, no processo de monitoramento para o estabelecimento de um sistema inovativo há pelo menos o dobro de etapas. E isso tem que ficar bem compreendido. Os sistemas de controles servem para acompanhar algo já estabelecido, que já foi feito inúmeras vezes e confirmou tanto sua eficiência quanto sua eficácia; os sistemas de monitoramento, apesar de terem finalidades parecidas, estão voltados para a criação de um roteiro de produção, que ainda não existe, e que por isso precisa ser estabelecido e validado. Este ensaio tem como objetivo apresentar as etapas do processo de monitoramento de inovações.
O ponto de partida para o processo de monitoramento são os atributos de cada etapa. Isso significa que cada etapa do processo de produção é constituída de características que, ao seu final, o produto em elaboração precisa apresentar. Em termos práticos, cada etapa tem uma estrutura analítica do produto, em que os componentes são agregados para conformar aquela parte do todo. Cada característica é passível de mensuração ou outra forma de geração de dados e informações acerca de sua conformidade ou não.
Para cada atributo, indicadores são criados. A finalidade desses indicadores é padronizar os resultados que a etapa precisa apresentar, de maneira que os inventores e parceiros possam decidir acerca de sua conformidade ou desconformidade. É sobre essa decisão que a validação será feita e estabelecida como oficial aqueles procedimentos utilizados.
Para cada indicador, estratégias e instrumentos de coleta de dados e informações precisam ser criados e validados. Os dados são registros que, sozinhos, praticamente nada significam, não permitem entendimento, enquanto as informações são a resultante de alguma forma de organização dos dados, gerando entendimento. O número 34, por exemplo, sozinho não diz nada, mas quando é relacionado com a variável idade ganha sentido. E se for relacionado com um terceiro dado, como nível de maturidade corporal, fica ainda mais rico em entendimento.
Muitas vezes são necessários equipamentos específicos e especiais para as mensurações. E o desafio aumenta ainda mais quando eles também não existem e precisam ser inventados, o que leva à criação de uma nova linha de produção paralela. A finalidade é que se tenha uma representação da execução para que se possa comparar com os atributos, espécie de padrão que precisam ser alcançados.
O armazenamento é outra etapa desafiadora do monitoramento. A razão disso é que muitos atributos podem ser sensíveis aos materiais onde os dados e informações são armazenados, o que pode alterá-los. Além disso, o acesso ao local e materiais também pode levar a alteração, motivo pelo qual precisa ser disciplinado através de protocolos específicos para cada tipo de pessoal.
Depois de armazenados, os dados e informações precisam ser manuseados para avançar no processo de monitoramento, em direção à análise. Novamente aqui protocolos precisam ser criados para o manuseio, diferentes dos protocolos realizados para os que poderão ter acesso a eles, mas sem os manusear, como é o caso de inspeção, auditoria ou simplesmente transporte e locomoção.
De forma similar aos processos de controle, todo esquema de monitoramento tem a finalidade sintética de coletar dados e informações para serem comparados com os atributos de cada etapa do processo de inovação. Antes da avaliação, contudo, é preciso que se faça a análise das informações, ou seja, elas precisam ser organizadas a partir de determinada orientação para que ganhem sentido e gerem as informações pretendidas. É na etapa de análise que os dados e informações respondem à pergunta “o que eles querem dizer?” ou “o que esses dados nos mostram?”.
A etapa seguinte é a da avaliação. Avaliar é dar valor. Em termos práticos, a finalidade desta etapa é dizer se os atributos foram ou não incorporados naquela etapa avaliada, se estão ou não em conformidade com o esperado. Como se pode perceber, o resultado de todo processo de avaliação não é um número, um valor no sentido popular, mas uma valoração, no sentido de aprovação ou reprovação. É por isso que todo resultado de um processo avaliativo vai gerar uma palavra ou frase positiva ou negativa, aprovado ou reprovado. Não há meio termo.