Balanço divulgado pelo Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen) revelou que o número de celulares, carregadores e chips apreendidos dentro do presídio mais que dobrou no 1º trimestre de 2021 em comparação ao mesmo período do ano passado. Na contramão dos itens telefônicos, houve redução de 12% nos encontros de arma branca, entre facas e estoques.
Em números absolutos, foram apreendidos entre janeiro e março deste ano: 291 celulares, 172 carregadores e 261 chips. No mesmo período de 2020, o total foi de 121 celulares, 67 carregadores e 107 chips.
Em relação ao encontro total de armas, houve redução. No ano passado, foram apreendidas no 1º trimestre: 4 armas de fogo, 27 facas e 28 estoques. Em 2021, até o mês de março, não foi apreendida nenhuma arma de fogo, porém, os agentes localizaram 16 facas e 32 estoques.
Entre as maiores apreensões, está a de 5 de janeiro durante uma revista de rotina onde os agentes encontraram 58 celulares e 48 carregadores dentro do presídio.
O material estava escondido nas celas do Pavilhão F1, destinado a presos sentenciados, no qual segundo o diretor do Iapen, Lucivaldo Costa, é um dos locais onde as apreensões mais acontecem.
"Acontece mais nos pavilhões fechados, F1, F2, F3 e F4. É sempre onde a gente encontra o maior número de celulares. O material é escondido nas paredes, pisos, recentemente encontramos um esconderijo de 40 centímetros embaixo de um vaso sanitário", relatou.
Em fevereiro, as equipes conseguiram interceptar um pacote com celulares, carregadores e outros itens que seriam arremessados para dentro do Iapen. Um homem tentou passar os pacotes, mas foi flagrado e fugiu abandonando o material ilícito.
Com o uso do aparelho celular, detentos conseguem comandar facções criminosas de dentro da penitenciária, realizam golpes de estelionato e organizam até mesmo o tráfico de drogas na região metropolitana.
No início de março, a polícia identificou uma quadrilha comandada por um interno do Iapen que aplicava golpes de estelionato com comprovantes de transferência falsos. O grupo conseguiu enganar 5 vítimas e obteve cerca de R$ 20 mil em mercadorias.
Para o diretor do Iapen, a alta na apreensão de celulares na comparação com 2020 acontece em função do grande número de intervenções realizadas em locais pontuais do presídio.
“Quando chega a informação para a gente de que existe alguma coisa ilícita em determinado local, a gente consegue descobrir a “toca” onde eles escondem e apreende um número bem razoável. Por exemplo, em uma das últimas intervenções foram encontrados aproximadamente 40 celulares, e desses, 20 estavam em apenas um local”, detalhou.
Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen) — Foto: Jorge Júnior/Rede Amazônica
Para reforçar a segurança no sistema penitenciário, foram instalados cerca de 40 bloqueadores de celular em 2020, entretanto, detentos ainda continuam recebendo e fazendo ligações de dentro das celas.
Entre os motivos que dificultam o bloqueio total das redes de telefonia móvel, está a interferência de uma torre de transmissão instalada a menos de 300 metros do presídio. De acordo com a direção, a estrutura dificulta que 100% da área seja protegida das chamadas clandestinas.
"Os bloqueadores de celulares são um problema bem serio. Conseguimos bloquear em torno de 60% e 70%, mas tem muitos espaços lá dentro descobertos. Exigimos que a empresa responsável desse cobertura total, mas ela alega que uma torre joga uma frequência muito forte pra cima do Iapen e que teríamos que acionar as empresas para que reduzissem isso", justifica.
Com a falta total do serviço, o diretor do Iapen completa que a empresa contratada não recebeu valores em função de não oferecer totalmente o bloqueio. Disse ainda que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deve intermediar o imbróglio entre empresa e responsável pela torre de tranmissão.
"Que a Anatel faça a conciliação para que a gente possa ter no futuro um serviço de qualidade para que a gente possa tirar 100% o celular das mãos dos presos. Enquanto isso, nós não recebemos o serviço, o estado não pagou nenhum centavo para essa empresa, o Iapen não pagou. Até o momento, se a empresa não oferecer o serviço não vai auferir lucros. Os passos seguintes, dependendo do rumo que tiver nessa negociação, pode ter o cancelamento do contrato porque ela tem que fazer todo o bloqueio, de 100%", completa.
Fonte: G1-AP / Foto: Iapen/Divulgação
