Foto: Tony Winston/Agência Brasília
Serviços retomam vagas, mas Comércio mantém ponderação na geração de empregos em São Paulo

Serviços retomam vagas, mas Comércio mantém ponderação na geração de empregos em São Paulo

Após contratações de fim de ano, mercado de trabalho recompõe-se e reduz ritmo


O mercado de trabalho paulista gerou 3.001 vagas no setor de Serviços em janeiro, em meio a uma recomposição dos postos após as contratações sazonais do fim de 2025 [tabela 1]. Segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), a tendência é que os primeiros meses do ano apresentem um ritmo mais moderado na retomada das contratações. Segundo a Entidade, o ambiente de crédito seletivo e de condições financeiras restritivas tende a causar maior cautela por parte das empresas.
 
De acordo com a Pesquisa de Emprego no Estado de São Paulo (PESP), realizada pela FecomercioSP com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o movimento ocorre após o forte ajuste observado em dezembro, quando houve o desligamento de 129.955 postos [gráfico 1].

 
[Tabela 1]
Movimentação do Emprego no Setor de Serviços no Estado de São Paulo – janeiro/2026

Fonte: Caged / Elaboração: FecomercioSP.

Apesar da retomada das contratações, o desempenho foi mais moderado na comparação com o mesmo mês de 2025, com resultado inferior em 6.091 vagas. Ainda assim, o setor mantém estoque elevado de empregos formais — com 7,7 milhões de vínculos e desempenho positivo em doze meses (176.274).
 
Os segmentos que mostraram maior geração líquida de empregos em janeiro se concentraram nos serviços corporativos, educação e atividades profissionais, enquanto os ligados ao consumo presencial e à logística apresentaram ajustes negativos [tabela 1].
 
[Gráfico 1]
Movimentação do Emprego no Setor de Serviços no Estado de São Paulo – janeiro/ 2025 a janeiro/2026
Fonte: Caged / Elaboração: FecomercioSP.

Saldo negativo no comércio
No Comércio, janeiro registrou saldo negativo de 20.677 postos de trabalho [tabela 2], apontando para uma intensificação do encerramento das contratações temporárias realizadas para atender à Black Friday e ao Natal — movimento já presente em dezembro, quando o resultado havia sido de -19.242 vagas.
 
[Tabela 2]
Movimentação do Emprego no Setor de Comércio no Estado de São Paulo – janeiro/2026
Fonte: Caged / Elaboração: FecomercioSP.

Em comparação com janeiro de 2025, o mercado de trabalho paulista apresentou um ajuste ainda mais intenso, com 3.427 postos a menos. Na ocasião, o volume havia sido de -17.250 vagas [gráfico 2].
 
Dentre as divisões do setor de Comércio, o Varejista — o mais aquecido durante o período de maior demanda sazonal — foi o que mais contribuiu para o resultado negativo do mês, com a eliminação de 20.073 vagas. Na sequência, ficaram os segmentos de Comércio e Reparação de Veículos (-305) e o Atacadista (-299) [tabela 2].
 
[Gráfico 2]
Movimentação do Emprego no Setor de Comércio no Estado de São Paulo – janeiro/ 2025 a janeiro/2026
Fonte: Caged / Elaboração: FecomercioSP.
 
De acordo com a FecomercioSP, o ambiente de estoques mais ajustados, as margens pressionadas e o custo elevado do crédito têm limitado movimentos mais intensos de contratação no Comércio Atacadista. E o segmento de Veículos sofreu os reflexos das restrições impostas pelo alto custo do financiamento e pela postura mais cautelosa do consumidor, em especial na compra de bens de maior valor.
 
Apesar do desempenho mensal negativo, o estoque de empregos formais no setor de Comércio avançou em 58.011 postos, um crescimento de 2%, passando de 2,97 milhões, em janeiro de 2025, para 3 milhões no mesmo mês de 2026 [tabela 2]. Em doze meses, registrou a criação de 54.634 postos.
 
Na visão da Federação, ainda que seja esperado um retorno a saldos positivos nos próximos meses, como tradicionalmente ocorre após o início do ano, o comportamento recente do mercado de trabalho sugere maior cautela na geração de empregos, indicando que o ritmo de expansão do Comércio em 2026 pode ser mais moderado do que o observado no ano anterior.
 
Capital paulista: retomada dos Serviços e queda no Comércio
Na cidade de São Paulo, o setor de Serviços registrou, em janeiro, 2.977 vagas, após 160.966 admissões e 157.989 desligamentos [tabela 3]. Em dezembro, havia reduzido 42.133 postos. Em relação a janeiro de 2025, quando registrou 9.092 empregos, houve uma redução de 6.115 postos de trabalho. Em doze meses, a capital também mantém saldo positivo, com 70.912 vagas.  
 
[Tabela 3]
Movimentação do Emprego no Setor de Serviços – Cidade de São Paulo – janeiro/2026

Fonte: Caged / Elaboração: FecomercioSP.
 
O Comércio paulistano terminou janeiro com saldo negativo de 6.559 vagas, resultado de 36.973 admissões e 43.532 desligamentos [tabela 4]. O resultado representa um ajuste mais intenso do que o observado em janeiro de 2025, que apresentou saldo negativo de 4.550 vagas, mas em menor escala em relação a dezembro (menos 7.664). O estoque de empregos formais passou de 907.085 vínculos, em janeiro de 2025, para 920.797 em janeiro de 2026, um acréscimo de 13.712 postos — crescimento de 1,5%. Em doze meses, a capital registrou saldo positivo de 13.692 vagas.
 
[Tabela 4]
Movimentação do Emprego no Setor de Comércio – Cidade de São Paulo – janeiro/2026

Fonte: Caged / Elaboração: FecomercioSP.

 
Nota metodológica
A Pesquisa de Emprego no Estado de São Paulo (PESP) passou por reformulação em sua metodologia e, agora, analisa o nível de emprego celetista dos setores de Comércio e de Serviços do Estado de São Paulo a partir de dados do novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), elaborado pelo Ministério do Trabalho — passando a se chamar PESP de Comércio e Serviços.
 
Sobre a FecomercioSP
Reúne líderes empresariais, especialistas e consultores para fomentar o desenvolvimento do empreendedorismo. Em conjunto com o governo, mobiliza-se pela desburocratização e pela modernização, desenvolve soluções, elabora pesquisas e disponibiliza conteúdo prático sobre as questões que afetam a vida do empreendedor. Representa 1,8 milhão de empresários, que respondem por quase 10% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e geram em torno de 10 milhões de empregos.

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