A Polícia Militar (PM) afirmou, no início da tarde deste domingo (28), que o corpo do indígena Emyra Waiãpi, de 62 anos, morto em área indígena invadida no Amapá, estava com marcas de perfurações e cortes na região pélvica. Ele é um dos líderes do povo Waiãpi, cujos indígenas denunciaram no sábado (27) a invasão por garimpeiros.
A Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Ministério Público Federal (MPF) estão investigando as circunstâncias da morte e tratam o caso com cautela. Aikyry Waiãpi, filho de Emyra, diz que ele morreu em confronto com os invasores.
O comandante da PM no Amapá, coronel Paulo Matias, disse à Rede Amazônica, por telefone, que, de acordo com as equipes no local, o corpo apresentava perfurações.
A morte do líder indígena ocorreu em 23 de julho, mas as autoridades de segurança foram alertadas apenas no sábado.
Segundo relataram indígenas Waiãpi à Funai, entre 10 e 15 pessoas com armas de grosso calibre estão nas imediações da aldeia Yvytotõ. Os índios, ainda de acordo com a entidade, agora se concentram na aldeia Mariry, distante cerca de 40 minutos de caminhada da Yvytotõ.
MPF investiga morte de indígena e invasão de garimpeiros
A Funai orientou que os indígenas evitem qualquer tipo de contato com os invasores, com objetivo de evitar acirramento dos ânimos.
Equipes do Bope e da Polícia Federal estão na aldeia, que fica a cerca de 300 quilômetros da capital Macapá, no município de Pedra Branca do Amapari. O acesso à terra indígena foi fechado na manhã deste domingo. Na região, vivem cerca de 300 índios da etnia.
Tensão
Em coletiva à imprensa no fim da manhã, o MPF reforçou que segue acompanhando a situação no local e não confirmou a origem do suposto conflito.
"De fato ocorreu um homicídio, de circunstâncias não identificadas, de segunda (22) para terça (23), de uma liderança indígena. Ainda não sabemos como se deu a autoria dessa morte, se foram garimpeiros, caçadores, "não-índios" ou mesmo, se a disputa ocorreu entre os indígenas. As circunstâncias não estão muito claras sobre o que acontece então. Não se sabe exatamente que grupo é esse, mas precisamos apurar melhor", declarou o procurador Rodolfo Lopes.
Participaram da reunião integrantes da Polícia Federal, Exército e da Secretaria de Estado da Justiça e Segurança Pública do Amapá (Sejusp).
Por meio de nota, a Funai confirmou a presença de invasores e o alto clima de tensão na região Waiãpi.
"Com base nas informações coletadas pela equipe em campo, podemos concluir que a presença de invasores é real e que o clima de tensão e exaltação na região é alto", relatou a Funai.
Através de nota, o Conselho das Aldeias Waiãpi se manifestou e divulgou informações colhidas com os indígenas da região, reforçando que “a morte não foi testemunhada por nenhum Waiãpi e só foi descoberta na manhã seguinte [23 de julho]”.
A entidade citou que foram encontrados rastros no entorno da aldeia que indicam que a morte do líder indígena foi causada por “não-indígenas”. O conselho confirma que houve a invasão de homens que se instalaram em uma das casas da aldeia Mariry.
O grupo acionou os órgãos de segurança, mas, antes disso, não relatou evidências de confronto armado, embora tenham ficado de guarda próximo ao local de onde estavam os invasores.
Ato
No fim da tarde deste domingo, um ato em defesa dos territórios indígenas mobilizou dezenas de pessoas na Praça Floriano Peixoto, no Centro de Macapá. Eles lembraram outros assassinatos de índios na Região Norte e, com faixas e cartazes, cobraram Justiça ao caso e a defesa à vida.
