Foto: Júnior Nery/Sesa
Mãe surda recebe suporte da Central de Libras durante primeiro atendimento odontológico do filho no CEO do Amapá

Mãe surda recebe suporte da Central de Libras durante primeiro atendimento odontológico do filho no CEO do Amapá

Samara Vieira levou Samuel para cuidar da saúde bucal; iniciativa do Governo do Amapá tem reduzido barreiras históricas ao garantir intérpretes de Libras.


O acesso à saúde pública sempre foi um desafio para Samara Vieira, de 28 anos, surda desde o nascimento. Mas, ela viveu uma experiência diferente ao contar com um intérprete da Língua Brasileira de Sinais (Libras) para acompanhar a primeira consulta do filho no Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) estadual.

O atendimento inclusivo foi garantido com os profissionais da Central de Tradutores e Intérpretes de Libras (Cilsaúde), novo serviço criado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) para assegurar que pessoas surdas tenham atendimento acessível, humanizado e sem barreiras de comunicação na rede pública de saúde.

No CEO, o pequeno Samuel, de 2 anos de idade, também recebeu tratamento especializado da equipe voltada para pacientes com necessidades especiais, pois o menino tem comportamento atípico e está em investigação para autismo. Ele estava com manchas nos dentes e a mãe suspeitava de cárie.

Primeira ida do Samuel ao dentista foi uma experiência única para o odontopediatra e para o paciente

Primeira ida do Samuel ao dentista foi uma experiência única para o odontopediatra e para o paciente

Foto: Júnior Nery/Sesa

A consulta, no entanto, trouxe não apenas um diagnóstico esclarecedor, mas também um exemplo de como a acessibilidade garante direitos. Com 25 anos de experiência, o odontopediatra José Adriano contou que ficou surpreso ao atender uma mãe surda acompanhada por um intérprete de Libras.

José Adriano, odontopediatra do CEO estadual

José Adriano, odontopediatra do CEO estadual

Foto: Júnior Nery/Sesa

“Essa foi a primeira vez, em toda a minha carreira, que vivi essa experiência. A comunicação foi muito mais fácil, sem dúvida, extraordinária a atuação desse setor que a Sesa oferece hoje. É fundamental para garantir o acesso universal à saúde”, destacou o dentista.

Quebrando barreiras

Na avaliação, o especialista constatou que as manchas que preocupavam a mãe não eram cáries, mas sim marcas provocadas pelo uso de sulfato ferroso, medicamento prescrito para tratar anemia. Apesar do alívio, o profissional recomendou que Samara retorne com Samuel, levando escova e creme dental próprios da criança, para reforçar a rotina de higiene bucal.

Segundo relato da mãe ao intérprete e coordenador da Cilsaúde, Wesley Ribeiro, o menino apresenta resistência durante a escovação diária, mas ela garante que mantém a regularidade do hábito, apesar das dificuldades.

“Esta foi a segunda vez que dona Samara acionou o Cilsaúde para marcar atendimentos na rede pública de saúde. Na próxima semana, vamos acompanhá-la com o filho ao neurologista do Hospital de Clínicas Dr. Alberto Lima [Hcal], para investigar a suspeita de autismo. Também vamos acompanhar a família ao fisioterapeuta no Centro de Reabilitação do Amapá [Creap], já que Samuel possui uma condição congênita no punho e no tornozelo", explicou o intérprete.

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Comunicação facilitada com ajuda do tradutor de Libras, Wesley Ribeiro, coordenador do Cilsaúde

Comunicação facilitada com ajuda do tradutor de Libras, Wesley Ribeiro, coordenador do Cilsaúde

Foto: Júnior Nery/Sesa

Avaliação desafiadora

O odontopediatra também ressaltou o desafio de atender o Samuel, que apresentou forte relutância e chorou mesmo estando no colo da mãe. Ainda sem diagnóstico formal de autismo, a consulta não foi inicialmente direcionada ao atendimento especializado para Pacientes com Necessidades Especiais (PNE).

George Araújo, diretor do CEO estadual

George Araújo, diretor do CEO estadual

Foto: Rodrigo abreu/Sesa

O diretor do CEO, George Araújo, explicou que o encaminhamento não ocorreu porque não havia apresentação de laudo ou confirmação médica da condição. Mas reforçou o compromisso da unidade em garantir prioridade a esse público.

“Temos duas especialistas dedicadas ao atendimento de pacientes PNE, justamente porque a gestão estadual prioriza oferecer o melhor serviço em saúde bucal, com humanidade e qualidade, a todos os cidadãos”, ressaltou.

A história de Samara, que ficou surda após a mãe contrair rubéola, e de Samuel, evidencia o papel transformador da Cilsaúde, que tem aproximado usuários surdos dos serviços oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Amapá. Mais do que intérpretes, a Central representa inclusão, respeito e a certeza de que cada cidadão tem direito de ser atendido em sua integralidade.

Por Júnior Nery

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