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Cidades Inteligentes são, antes de tudo, cidades humanas

Cidades Inteligentes são, antes de tudo, cidades humanas

Durante muitos anos, o conceito de cidade inteligente esteve associado quase exclusivamente ao uso intensivo de tecnologia. Sensores, câmeras, aplicativos, semáforos automatizados e sistemas digitais passaram a simbolizar o futuro do urbanismo. Mas o debate contemporâneo vem mostrando que a verdadeira inteligência de uma cidade não está apenas nos equipamentos que ela instala, e sim, na qualidade de vida que proporciona às pessoas.

Hoje, as cidades mais avançadas do mundo são aquelas capazes de promover mobilidade eficiente, segurança, inclusão social, espaços públicos vivos e um forte sentimento de pertencimento coletivo. Em outras palavras, cidades inteligentes são, acima de tudo, cidades humanas.

O crescimento da solidão urbana, da violência e da fragmentação social trouxe para o centro das políticas públicas a necessidade de reconstruir os vínculos comunitários. Não basta erguer prédios, avenidas e viadutos. É preciso criar ambientes onde as pessoas possam conviver, caminhar, brincar, praticar esportes, usufruir da natureza e se reconhecer como parte de uma mesma comunidade.

Parques, praças, áreas verdes, equipamentos culturais e espaços de convivência têm papel fundamental nesse processo. Eles contribuem para a saúde física e mental, fortalecem a vida em comunidade, estimulam a economia local e ajudam a prevenir a violência ao ocupar positivamente o território.

Nesse contexto, ganha força a compreensão de que o futuro das cidades depende menos de concreto e mais de convivência humana. Talvez o maior desafio urbano do século XXI não seja construir mais cidades, mas reconstruir o senso de comunidade dentro delas.

No Amazonas, essa visão já orienta importantes iniciativas de transformação urbana e social. Programas como o Social e Ambiental de Manaus e Interior (Prosamin+) e de Saneamento Integrado (Prosai) demonstram que é possível aliar infraestrutura, saneamento, habitação, recuperação ambiental e criação de áreas de lazer para devolver dignidade às famílias e resgatar a relação das pessoas com o lugar onde vivem.

Esses programas, desenvolvidos pela Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE), órgão da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb), pastas que gerenciei até março deste ano, vão muito além das obras físicas. Ao recuperar igarapés, implantar parques, ampliar áreas verdes e criar espaços públicos de qualidade, promovem um verdadeiro reencontro entre a população e a cidade. São exemplos concretos de políticas públicas que entendem que desenvolvimento urbano e desenvolvimento humano devem caminhar juntos.

Construir cidades mais inteligentes, portanto, é investir em soluções que aproximem as pessoas, fortaleçam os laços sociais e façam com que cada cidadão se sinta parte de um projeto coletivo. Porque, no fim das contas, a cidade ideal não é a que possui mais tecnologia, mas a que oferece mais oportunidades de convivência, inclusão e bem-estar para todos.

Marcellus Campêlo

Marcellus Campêlo

Engenheiro civil, especialista em Saneamento Básico e em Governança e Inovação Pública; ocupa, atualmente, a segunda vice-presidência do União Brasil Amazonas e é membro titular do diretório da Federação União Progressista, pré-candidato a deputado estadual

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