A Reforma Tributária traz o split payment, que pode tirar R$ 12 bilhões de liquidez das maiores varejistas. Especialistas da Tributo Certo explicam como proteger o caixa dessa mudança.
O split payment, mecanismo da Reforma Tributária que separa IBS e CBS durante o pagamento de uma compra ou serviço, pode retirar cerca de R$ 12 bilhões de liquidez das dez maiores varejistas de capital aberto do país, segundo estimativa da Peers Consulting divulgada pelo UOL em 13 de agosto. O cálculo representa aproximadamente 40% dos tributos pagos pelas companhias analisadas e evidencia uma das principais preocupações em torno do novo modelo: o impacto sobre o dinheiro disponível para financiar a operação.
Márcio Lopes, empresário, fundador e CEO da Tributo Certo, e Rafael Rocha, administrador de empresas, afirmam que a mudança exige acompanhamento não só contábil, mas também uma gestão cuidadosa do caixa e da operação. A mudança no recolhimento fará com que as empresas precisem planejar melhor seu capital de giro e contratos.
Hoje, entre o recebimento de uma venda e o recolhimento dos tributos, existe um intervalo que funciona como fonte temporária de capital de giro para muitas empresas. Com o split payment, a parcela correspondente aos novos impostos será segregada e destinada ao Fisco, o que pode mudar significativamente a dinâmica financeira de muitos negócios.
A implantação do split payment ficou adiada para depois de janeiro de 2027, com a regulamentação estabelecendo uma implementação gradual. Inicialmente, o mecanismo poderá ser facultativo e concentrado em operações específicas entre empresas.
O impacto não será igual para todos os setores, sendo os supermercados e lojas os mais expostos. Negócios que prestam serviços, como clínicas médicas e escritórios de advocacia, enfrentarão diferentes desafios.
As empresas devem começar a se preparar simulando o impacto do split payment e ajustando seus processos financeiros, contratos, e estruturas de preços para mitigar possíveis perdas de liquidez.
