Transplante intestinal, exposição ao frio e dietas radicais: métodos extremos para emagrecer funcionam?
- Redação
- 07/01/2026
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“Essas estratégias chamam atenção porque prometem atalhos, mas os efeitos reais são limitados e não sustentáveis”, afirma o médico Gabriel Almeida.
A busca por emagrecimento rápido nunca deixou de existir, mas nos últimos anos reapareceu com uma nova estética. Em vez das antigas dietas milagrosas escancaradas, métodos já conhecidos retornam embalados por linguagem científica, vídeos curtos e promessas de eficiência metabólica. Estratégias que envolvem o intestino, o frio extremo e restrições severas voltaram ao centro do interesse em um momento marcado por ansiedade estética, comparação constante e baixa tolerância a processos longos.
Um dos exemplos mais comentados é o chamado “transplante intestinal”, termo popular usado para se referir ao transplante de microbiota fecal, procedimento que não envolve a troca cirúrgica de órgãos. A técnica existe, tem indicação médica bem definida e eficácia comprovada em situações específicas, mas não foi criada como ferramenta de emagrecimento. Segundo Gabriel Almeida (CREMESP 180956 | RQE 121513), cirurgião-geral com mais de 11 anos de atuação em emagrecimento e qualidade de vida, há uma distorção quando o procedimento passa a ser tratado como solução estética. “Muita gente enxerga isso como um reset metabólico, mas não há evidência de perda de gordura sustentada. Não é um método feito para emagrecer”, explica.
Outro método que voltou a circular é a exposição deliberada ao frio, defendida como forma de ativar a gordura marrom e aumentar o gasto calórico. Embora exista base fisiológica para o corpo consumir energia ao se aquecer, o impacto prático é discreto e limitado. “O frio pode gerar um aumento pontual do gasto energético, mas isso não altera o quadro geral de emagrecimento. Além disso, em algumas pessoas pode provocar estresse cardiovascular, especialmente quando adotado de forma extrema ou sem orientação”, alerta Gabriel Almeida.
As dietas radicais completam o grupo de estratégias que prometem resultados rápidos. Protocolos altamente restritivos costumam provocar queda inicial de peso, mas grande parte dessa perda está relacionada à eliminação de água e massa muscular. “Quando a restrição é agressiva, o organismo entra em modo de defesa. A médio prazo surgem fadiga, queda de desempenho físico, alterações hormonais e maior risco de efeito rebote”, afirma o médico.
Para Gabriel Almeida, o ponto em comum entre esses métodos não é a eficácia, mas o contexto em que ganham força. “Eles reaparecem sempre que o emagrecimento se transforma em urgência emocional. O corpo não responde à pressa, responde à constância”, diz. Segundo ele, até abordagens com embasamento científico perdem sentido quando não fazem parte de um plano sustentável, tornando-se apenas mais uma promessa passageira.
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No fim, a resposta à pergunta que impulsiona o interesse por essas estratégias é simples e pouco glamourosa. “Emagrecer de forma saudável continua sendo um processo de construção. Não existe intervenção extrema que substitua rotina, equilíbrio e tempo”, conclui Gabriel Almeida.
Sobre Gabriel Almeida
Gabriel Almeida (CREMESP 180956 | RQE 121513), é médico cirurgião-geral com mais de 15 anos de experiência, com ênfase em emagrecimento, qualidade de vida e protocolos avançados de tratamento da obesidade. Diretor Técnico do Núcleo GA, também atua como escritor e palestrante, compartilhando conhecimento científico e clínico com profissionais da saúde para ampliar o cuidado seguro e individualizado aos pacientes. O médico aborda de forma humanizada e baseada em evidências temas relacionados à perda de peso e bem-estar integral, buscando promover mudanças positivas nos estilos de vida.
