Quarta, 28 de Outubro de 2026 · Macapá-AP Portal Eleições 2026 Municípios
Amapá Digital Amapá Digital
◆ Premium
Últimas
Outubro Rosa: Prefeitura de Pedra Branca leva atendimentos de saúde à comunidade de Sete Ilhas Câmara aprova MP que amplia alcance de indenização para servidores em áreas estratégicas de fronteira Câmara aprova consultas no SUS para orientação sobre saúde reprodutiva de meninas e meninos Câmara aprova apoio financeiro a produtores de cana-de-açúcar no Nordeste Projeto prevê compartilhamento de dados bancários e telefônicos de candidatos Lideranças ianomâmis cobram proteção e continuidade de ações ambientais Correios passa a aceitar gratuitamente descarte de eletrônicos usados Neuma Santos estreia na literatura infantil com o livro “A brincadeira com os Sofaris” Polícia Civil pede ajuda para localizar jovem de 25 anos desaparecido em Macapá Polícia Civil pede ajuda para localizar mulher desaparecida desde 14 de outubro em Macapá Batalhão de Força Tática prende três pessoas por tráfico de drogas, roubo e outros crimes em Macapá Conhecendo o MEC: programa de rádio apresenta políticas do ministério Municípios priorizados pelo Ideb têm até 30 de outubro para preencher plano de ação Governo Federal amplia acesso ao 5G para 69,8 milhões de brasileiros Governo do Brasil aprova R$ 45,2 milhões para ajudar o Amazonas Governo Federal renova subvenção de R$ 2,12 ao óleo diesel Outubro Rosa: Prefeitura de Pedra Branca leva atendimentos de saúde à comunidade de Sete Ilhas Câmara aprova MP que amplia alcance de indenização para servidores em áreas estratégicas de fronteira Câmara aprova consultas no SUS para orientação sobre saúde reprodutiva de meninas e meninos Câmara aprova apoio financeiro a produtores de cana-de-açúcar no Nordeste Projeto prevê compartilhamento de dados bancários e telefônicos de candidatos Lideranças ianomâmis cobram proteção e continuidade de ações ambientais Correios passa a aceitar gratuitamente descarte de eletrônicos usados Neuma Santos estreia na literatura infantil com o livro “A brincadeira com os Sofaris” Polícia Civil pede ajuda para localizar jovem de 25 anos desaparecido em Macapá Polícia Civil pede ajuda para localizar mulher desaparecida desde 14 de outubro em Macapá Batalhão de Força Tática prende três pessoas por tráfico de drogas, roubo e outros crimes em Macapá Conhecendo o MEC: programa de rádio apresenta políticas do ministério Municípios priorizados pelo Ideb têm até 30 de outubro para preencher plano de ação Governo Federal amplia acesso ao 5G para 69,8 milhões de brasileiros Governo do Brasil aprova R$ 45,2 milhões para ajudar o Amazonas Governo Federal renova subvenção de R$ 2,12 ao óleo diesel
Publicidade
JOGOS EXCLUSIVOS DO AMAPÁ
✒ Artigo

O BÚFALO É NOSSO IRMÃO! AVIABILIDADE ECONÔMICA versus DANOS AMBIENTAIS

O BÚFALO É NOSSO IRMÃO! AVIABILIDADE ECONÔMICA versus DANOS AMBIENTAIS

O búfalo (Bubalus) é um mamífero herbívoro, de reprodução sexuada e ungulado de grande porte, chega a medir 1,5 a 1,9 m de altura, de 2,40 a 3,00 m de comprimento. Búfalos selvagens machos podem pesar até 1.200 kg e fêmeas 800 kg. A escassa pelagem é longa com coloração va- riando do cinza ao preto. A cauda é relativamente longa (1 m), apresen- tando pelos mais espessos na ponta. O búfalo adulto é praticamente sem pelos e a cor da pele varia de acordo com as condições climáticas. Limpo e seco, a pele do animal é cinza-escura; quando está úmido, vai de marrom-escuro ao preto.

A variedade bubalis (Bubalus bu- balis) conhecida como búfalos de rio é representada pelas raças Murrah, Mediterrâneo e Jafarabadi. Já a va- riedade kerebau (Bubalus bubalis Kerebau), conhecida como búfalos de pântano, é representada pelas raças Carabao e Rosilho.

O búfalo doméstico tem origem asiática, de regiões de ?orestas tro- picais, subtropicais e de alagadiços. Migrou por ação humana para a África, depois Europa e continente americano.

No Brasil, a criação de búfalos teve origem na Ilha do Marajó em 1895 e alastrou para diversas regiões brasi- leiras. Em Rondônia, a criação co- meçou em 1956 e nas demais regiões da Amazônia, estima-se que se ini- ciou em 1975.

O uso econômico desses ani- mais é a produção pastoril de carne e leite. A principal área de in- vasão dos búfalos é o ambiente de formações pioneiras de in?uência ?uvial, os chamados campos inun- dáveis. O Brasil tem 3,5 milhões de búfalos e o Amapá tem 18,4% do re- banho nacional. É o animal prefe- rido aqui no Amapá pela sua rusticidade e alta capacidade de adaptação aos ambientes alagados desse rincão Amazônico.

O búfalo causa impactos ambien- tais porque a manada caminha no banhado fazendo enormesvalas que drenam as regiões alagadas e destrói aqueles “habitats”.

Na região Amaparina (Municípios de Amapá, Pracuúba e Tartarugalzi- nho) e no Baixo Araguari (Cutias do Araguari, Ferreira Gomes, Itaubal e Arquipélago do Bailique) os búfalos vêm promovendo a drenagem dos lagos naturais por causa da abertura desses canais arti?ciais por ação mecânicado pisoteio, namaioriadas vezes por indução humana, o que tem provocado a entrada de águas salgadas (principalmente nos rios Amapá e Flexal) e a morte de peixes e anfíbios, incluindo toda e qualquer espécie que dependam desses ecos-dissertação de mestrado, entrevistei um amigo que ?z quando fui Promo- torde Justiçana Comarcade Amapá, o polêmico pecuarista “Bronca” (An- tônio Pontes Cambraia), sobre as causas das queimadas nos campos inundáveis. Sua resposta foi que os pecuaristas queimam para limpar a quiçaça, aqui na Amazônia chamada de juquira, para brotar o capim e ali- mentar o rebanho. Ou seja, as quei- madas que causam um dano ambiental medonho têm como causa remota também a pecuária de gado vacum em geral.

À guisa de conclusões: A humanidade continua a temer as ditaduras, o arbítrio, o terrorismo, os exércitos inimigos e agora as pandemias como a do recente coronavírus.

Entretanto, o avanço da erosão e deserti?cação do solo, a extinção das espécies, a escassez de água potável e de energia, o esgotamento dos re- cursos naturais e a mudança climá- tica estão exigindo mudança do conceito tradicional de segurança nacional e internacional em busca da segurança ecológica global.

A sociedade pensa que no Amapá os ecossistemas existentes não estão sob riscos, conclusão super?cial que se dá mais por falta de informação. Apesardabaixíssimataxade desma- tamento (5%), algumas atividades vêm causando impactos signi?can- tes. Essa pseuda preservação é uma falácia.

Para não seracusado de listarape- nas a pecuária (bubalinocultura) como “vilã”, ouso fugir um pouco do tema proposto para citar outros “vi- lões”.

Pois bem! Vamos lá! Eis os outros “vilões”: os assentamentos (federais e estaduais), a silvicultura de espé- cies exóticas (como a acácia, pinho e eucalipto), exploração madeireirain- discriminada, pesca e caça predatória, o trá?co de animais silvestres, a gastronomiadacaça, aculturado xe- rimbabo (animais silvestres como mascote), desmatamento damataci- liar, disposição de resíduos sólidos e e?uentes (há uma gritante falta de saneamento urbano e rural), orde- namento e ocupação urbana desor- ganizados, a mineração/garimpo e as hidrelétricas.

As atividades mineradoras (mine- ração e os garimpos clandestinos), como já abordei em alguns artigos, fez vários estragos.

A instalação recente de mais duas hidrelétricas no Rio Araguari (UHE Ferreira Gomes e Caldeirão) e no Rio Jari (UHE Santo Antonio) elevou consideravelmente apotênciahidre- létrica instalada no Amapá, ?cando com 922 MW em termos de UHE (Caldeirão 219 MW, Santo Antonio do Jari 373 MW, Coaracy Nunes 78 MW e Ferreira Gomes 252 MW). Desati- varam a Usina Termoelétricade San- tana que gerava 159 MW, mas emitia 25 toneladas de CO2 na atmosfera diariamente.

As hidrelétricas vão assegurar o progresso, sem dúvidas! Mas com a interligação do linhão de Tucuruí tal- vez não fosse necessário a médio prazo, porque em 2019 o consumo estimado do Amapá foi de 373,3 MW, que representa apenas 40,5% da po- tência instalada de 922 MW em ter- mos hidrelétricos. Hoje exportamos energia e pagamos uma tarifa altís- sima. Um nonsense! Instauraram até uma CPI na Assembleia Legisla- tiva do Amapá.

O resultado em termos de danos ambientais na construção de hi- drelétricas foi o impacto nas bele- zas cênicas da Cachoeira de Santo Antonio (apesar da tecnologia de “?o d’água”) e a perda da força hi- dráulica do Rio Araguari provo- cada por 3 UHE uma logo acima da outra, in?uenciando também na eliminação do efeito “pororoca” e o aproveitamento turístico, assim como a redução do estoque pes- queiro e alagamento de áreas, den- tre outros.

Especi?camente em relação à criação de búfalos, a introdução de umaespécie exóticaem um “habitat” deve ser precedida de estudos de impactos ambientais prévios e a adoção de manejo adequado para que os rebanhos não continuem a causar os danos ambientais.

Não há como negar que o búfalo tem impulsionado o desenvolvi- mento do setor pecuário no Amapá, porém o custo ambiental a médio e longo prazo pode ser altíssimo, com a degradação irrecuperável de ecos- sistemas inteiros. Há manadas de búfalos praticamente selvagens pro- criando sem controle e sem donos nas áreas de proteção ambiental do Amapá, visto que não tem predado- res naturais como nos seus habitat naturais das savanas africanas.

Não há dúvidas que o manejo ina- dequado é o “vilão” e não o búfalo! No Mato Grosso quando trabalhava no BASA ?nanciamos um projeto de bubalinocultura para o Grupo Mara- zul, com utilização de tecnologias tipo cercas elétricas, açudes etc., pre- zando pelos princípios da sustenta- bilidade e foi um êxito.

Essa inadequação na criação de búfalo se dá principalmente pela descapitalização de boa parte dos pecuaristas aliadaàsanhacapitalista do lucro e a falta de uma política pú- blica severa para de?nir diretrizes, ?scalizar e coibir essas ações antró- picas com viés puramente econô- mico, sem levar em consideração a prudência ecológica.

Concluo que a proteção ao meio ambiente deve ser feita em um con- texto democrático, para se evitar os riscos de oprimir indivíduos ou mi- norias, colocando-se em riscos os di- reitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais consagrados. Se não há prudência ecológica a buba- linocultura não se enquadra como atividade sustentável.

Por?m, um fato pitoresco que me- rece lembrança. Quando Luiz Gon- zaga esteve no Amapá em 1950 fez homenagem à cultura do Marabaixo com a música Macapá (Eu não tinha nem dez anos, minha mãe veio me falar ...), gravada também por Gil- berto Gil em 1979 no álbum Realce. Mas se naquelaépocaexistissem bú- falos no Amapá, ao invés da música Apologia ao Jumento, Gonzagão teria escrito ode ao búfalo: -... Ão ão ão ão ão ão, o BÚFALO é nosso irmão, quer queira ou quer não ...!

Dr. Adilson Garcia

Dr. Adilson Garcia

Fórum Íntimo – professor doutor em Direito pela PUC- -SP, advogado e promotor de justiça aposentado.

Mais artigos

Ver todos →

TESTES E RETESTES PROCESSUAIS

Os testes e retestes do processo de inovação tecnológica podem ser divididos em diversas etapas e de diferentes formas....

DANO MORAL AMBIENTAL

Podemos subdividir o gê- nero dano ambiental, em função da extensão do dano ao ambiente, em duas espé- cie...

A FAVELIZAÇÃO DA RODOVIA NORTESSUL

Quando vi a Rodovia Norte-Sul sair do papel e começar a ser rasgada a passos de bicho preguiça com a promessa de se tor- nar u...

A VAMPIRA DE CURITIBA

Madrugada fria, aquela névoa característica de Curitiba que emoldura os canteiros da rua das Flores, ofuscava avisão ma...

A Operação Lava-Jato

Trata-se da maior in- vestigação de corrupção e lavagem de dinheiro já ocorrida no Brasil, sobre empreite...