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JOGOS EXCLUSIVOS DO AMAPÁ
✒ Artigo

Chefes ou servidores

“O chefe se impõe: Aqui mando eu. O servidor: Contem comigo.

O chefe existe pela sua autoridade; o servidor pelas suas atitudes.

O chefe exige impor-se com extensos argumentos; o servidor com exemplos e testemunhos.

O chefe inspira medo; sorriem-lhe pela frente e o criticam pelas costas. O servidor inspira confiança, dá poder à sua equipe, os entusiasma e, quando está presente, fortalece o grupo.

O chefe sabe como se faz as coisas; o servidor ensina como devem ser feitas. O primeiro guarda segredos, o outro capacita as pessoas para alcançar a meta.

O chefe chega em cima da hora; o servidor chega adiantado e transforma pessoas ordinárias em pessoas extraordinárias. Compromete-as com uma missão que lhes permita a realização. Dá sentido à vida de seus seguidores, uma razão para viver... É um arquiteto humano.

O chefe se aproveita dos demais. O servidor dá sua vida pelos que ama.”

Todo ano, com a solenidade de São Pedro e São Paulo, celebramos a memória desses dois grandes apóstolos. “Por diferentes caminhos, os dois congregaram a única família de Cristo e, unidos pela coroa do martírio, recebem hoje, por toda a terra, igual veneração”. Assim proclamaremos no prefácio da missa. Essa festa nos oferece a oportunidade de refletir um pouco sobre algo que é próprio da nossa Igreja, que chamamos de católica, apostólica e... romana.

Por isso, rezaremos de maneira especial pelo Santo Padre papa Francisco. A “cabeça” da Igreja, pensada como um corpo vivo, é o próprio Senhor Jesus (Cl 1,18). Não devemos ter dúvida alguma. No entanto acreditamos que ele tenha deixado alguém, necessariamente humano, com a missão desafiadora de ser um sinal visível de unidade na fé. O papa é humano e, portanto, limitado. Não sabe tudo e não pode fazer tudo. Precisa de colaboradores, bons e sinceros, mas, sobretudo, precisa da confiança de todos os cristãos para cumprir a sua difícil missão: manter unida a Igreja. Vivemos tempos de individualismo exacerbado e de autopromoção sem nos perguntar se isso ajuda a unidade e a comunhão ou satisfaz o nosso gosto de querer ser diferentes a qualquer custo.

Conhecer e obedecer às normas da Igreja não significa ser submissos ou nos sentir frustrados em nossa personalidade. Se pensarmos, por exemplo, nas nossas celebrações litúrgicas, quando todos – crianças e adultos - conseguem cantar juntos, ninguém deve se achar diminuído.

Ao contrário, fazemos a experiência de uma voz unânime, sentimo-nos parte de algo bem maior que a nós mesmos. Essa comunhão é tão grande que, nas missas, rezamos pelos vivos e pelos mortos, pelos presentes e os ausentes, pelos santos e santas, que já cantam no céu a glória de Deus. Também a fila para receber a Eucaristia não serve só para aguardar a nossa vez. Nos ensina a caminhar juntos, alimentados pela mesma Palavra e pelo mesmo Corpo do Senhor, sem fazer gestos particulares de devoção.

Comecei falando da “autoridade” do papa e acabei fazendo exemplos bem comuns entre nós. Foi só para lembrar que aqueles que, às vezes, consideramos “chefes”, na realidade são companheiros na mesma caminhada. Bispos, padres e todos aqueles que têm alguma tarefa específica na Igreja, estão a serviço do único Povo de Deus e comprometidos a construir a unidade, também, através da obediência aos simples e pequenos gestos que, porém, formam, aos poucos, o nosso jeito de pensar e acreditar na Igreja. Toda “autoridade” tem essa missão a cumprir.

O papa Francisco não inventou os Sínodos sobre a “sinodalidade” para complicar as coisas, mas, para nos lembrar e incentivar naquilo que nós todos somos chamados a zelar: caminhar juntos e todos na mesma direção. Somente assim a Igreja pode ser um sinal de esperança, paz e fraternidade num mundo tão dividido e conflituoso. São Pedro e São Paulo foram muito diferentes, mas “congregaram a única família de Cristo”. Não foram simplesmente “chefes” ou organizadores, foram verdadeiros servidores da comunhão no único Corpo de Cristo

Dom Pedro José Conti

Dom Pedro José Conti

Bispo de Macapá

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