Mais associada às coxas e ao bumbum, a celulite também pode aparecer na faixa de pele logo acima dos joelhos, onde pequenas depressões se misturam a dobras e perda de firmeza. Nem todas essas marcas têm a mesma origem: o aspecto depende tanto das estruturas abaixo da pele quanto de sua sustentação, e não apenas da quantidade de gordura.
Para compreender a formação dos furinhos, é preciso observar as faixas fibrosas que conectam a pele aos tecidos mais profundos. Enquanto elas exercem tração para baixo, o tecido gorduroso entre elas contribui para as elevações na superfície, criando um relevo que pode ficar mais evidente com a perda de elasticidade. Segundo a médica Danuza Alves, diretora médica da Clínica Leger Porto Alegre, celulite e flacidez podem coexistir. “Uma depressão localizada e uma pele que forma pequenas dobras podem aparecer juntas. Isso explica por que reduzir gordura nem sempre resolve o que incomoda a paciente”, explica.
Ao analisar fotografias de 57 mulheres, pesquisadores desenvolveram uma escala específica para a região acima dos joelhos, considerando quantidade e profundidade das depressões, além da presença de flacidez. O peso, sozinho, não permite prever essa aparência: pessoas magras também podem ter celulite, e o emagrecimento acompanhado de perda de firmeza pode deixar as marcas mais visíveis. Comum e geralmente inofensiva, a celulite estética não exige tratamento por si só.
Quando há interesse em suavizar as irregularidades, a avaliação pode considerar tecnologias que buscam melhorar a firmeza da pele e, em casos selecionados, bioestimuladores de colágeno. Um estudo piloto investigou o uso de hidroxiapatita de cálcio acima dos joelhos, mas seus resultados preliminares não permitem prometer a mesma resposta para todas as pacientes. Já procedimentos que liberam faixas fibrosas têm outro objetivo e exigem indicação específica, considerando a anatomia local. Para Danuza, a escolha deve acompanhar a causa da marca e os limites de cada intervenção. “Se predomina flacidez, busco melhorar a sustentação da pele. Se há uma depressão presa aos tecidos profundos, preciso avaliar essa estrutura. Uma única técnica pode não responder às duas queixas”, conclui.
Sobre a médica: Danuza Alves é formada em Medicina pela Universidade de Gurupi, sócia e diretora médica da Clínica Leger Porto Alegre. Coordena o Núcleo de Estudos da instituição e atua em preenchimentos faciais e corporais e tratamentos da celulite. Possui os registros CRM/RS 36.568 e CRM/SP 219.399.
Referências científicas: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32027408/ https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32713163/
Crédito: @dradanuzalves | @clinicaleger | CO ASSESSORIA
