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FatCamera/Getty Images
Câncer infantil: diagnóstico tardio e desigualdade no acesso a centros especializados ainda são desafios
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Câncer infantil: diagnóstico tardio e desigualdade no acesso a centros especializados ainda são desafios

  • 01/02/2025
  • Saúde
Índices de sobrevida não tiveram melhorias significativas ao longo dos anos; no Brasil, giram em torno de 65%, com discrepâncias entre as regiões.


Fevereiro é marcado pelo Dia Mundial do Câncer (04/02), data que visa alertar sobre a importância do diagnóstico precoce e estimular ações que visem combater a doença. Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam que o câncer é a primeira causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de zero a 19 anos no Brasil.

Com a terapia adequada, a maior parte dos diagnosticados pode sobreviver e ter qualidade de vida. No entanto, nem todos têm diagnóstico e tratamento em tempo adequado. Em países de alta renda, 80 a 85% podem sobreviver. Já no Brasil, o percentual varia de região para região - as taxas são mais elevadas no Sul e Sudeste e menores no Centro-Oeste, Nordeste e Norte. A média nacional é de 64%.

Isso significa que, apesar dos avanços no diagnóstico e tratamento, os índices de sobrevida não apresentaram melhorias significativas ao longo dos anos. “Diversos fatores interferem tanto nessa discrepância quanto nas taxas de sobrevida, sendo talvez o mais importante o atraso no diagnóstico”, afirma a Dra. Maristella Bergamo, oncologista pediátrica da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE).

Algumas pesquisas buscam elucidar as causas e efeitos do diagnóstico tardio. Recente revisão sistemática de 95 estudos realizados em países de baixa e média renda apontou alguns dos principais fatores que influenciam neste aspecto: crença na medicina tradicional, renda familiar, falta de transporte e distância dos centros especializados.

Dados do INCA na cartilha “Diagnóstico Precoce do Câncer na Criança e Adolescente” mostram que o tipo e a localização do tumor, assim como a idade do paciente, a distância do centro de referência e os entraves no sistema de encaminhamento contribuem para o atraso no diagnóstico. “Isso pode acarretar em necessidade de tratamento mais agressivo, maior possibilidade de sequelas e menores taxas de cura”, explica Dra. Maristella.
 

Atenção às queixas

Os principais sinais e sintomas relacionados ao câncer infantojuvenil são comuns a outras doenças na mesma faixa etária. Para os especialistas da SOBOPE, é imperativo que o médico esteja atento e vigilante para um diagnóstico precoce e encaminhamento o mais rapidamente possível ao centro de referência, levando em conta tanto a queixa quanto outros fatores, como a história familiar de câncer.

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A febre e cansaço podem acometer pacientes com leucemia; gânglios, pessoas com linfoma; dores de cabeça, aqueles com tumores cerebrais, entre outros exemplos que ilustram como o quadro pode confundir família e médico, levando à demora no diagnóstico e início do tratamento.

“Não se trata de um paciente com câncer sozinho. A oncologia pediátrica é feita com muitas mãos, com muitos profissionais de diversas áreas atuando para diminuir a desigualdade e aumentar a sobrevida de todas as crianças e adolescentes com câncer ao redor do mundo. Ganhar tempo no diagnóstico é o primeiro passo”, conclui a especialista.
 

Sobre a SOBOPE

Fundada em 1981, a SOBOPE tem como objetivo disseminar o conhecimento relacionado ao câncer infanto-juvenil e seu tratamento para todas as regiões do País, além de uniformizar métodos de diagnóstico e tratamento. Atua no desenvolvimento e divulgação de protocolos terapêuticos e na representação dos oncologistas pediátricos brasileiros.

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