De iniciativa do Governo do Amapá, cooredenada pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), realizou nos dias 30 e 31 de outubro, no Ceta Ecotel, em Macapá, uma capacitação para fortalecer a política de doação e transplantes de órgãos e tecidos no estado. A medida integra o Programa Nacional de Qualidade na Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Prodot), do Ministério da Saúde, e busca aproximar a Central Estadual de Transplantes dos profissionais que atuam nas unidades hospitalares.
De acordo com a médica nefrologista e coordenadora da Central Estadual de Transplantes do Amapá, Gracileide Lobato, a capacitação busca preparar as equipes para compreender todas as etapas do processo de doação, inclusive após a confirmação da morte encefálica. A formação também orienta os profissionais sobre a abordagem às famílias, que exige acolhimento, sensibilidade e preparo para comunicar más notícias e apresentar a possibilidade da doação de órgãos.
"Temos certeza de que não existe possibilidade de avanço nas atividades relacionadas à doação e ao transplante se não fizermos essa conexão entre a Central Estadual de Transplantes e os profissionais das unidades hospitalares. O cuidado com o paciente não termina no diagnóstico de morte encefálica, e precisamos preparar essas equipes para lidar com esse momento e acolher as famílias”, destacou Gracileide.
A importância da iniciativa também é ressaltada por quem vivencia a realidade dos pacientes renais. Transplantada há 13 anos, a presidente da Associação Amapaense dos Renais crônicos, Amanda Bastos, à frente da entidade desde 2023, há 15 anos acompanha a realidade de pessoas com doença renal crônica. Para ela, a qualificação dos profissionais representa um avanço importante na estruturação da política de doação e transplantes no Amapá.
“A capacitação é muito importante porque precisamos que os profissionais estejam preparados e entendam todo esse processo. Para nós, pacientes renais, fortalecer a doação e o transplante significa esperança e a possibilidade de melhorar a qualidade de vida de muitas pessoas”, ressaltou Amanda.
Segundo Amanda, aproximadamente 500 pacientes realizam hemodiálise no estado, além de pessoas que precisam se deslocar para outras unidades da Federação em busca de tratamento e da oportunidade de receber um novo órgão. Ela destaca que o fortalecimento do serviço pode representar novas perspectivas para quem depende de tratamentos contínuos ou aguarda na fila por um transplante.
A ação reforça o compromisso do Governo do Estado com a qualificação da rede de saúde, a integração entre os serviços hospitalares e a ampliação das estratégias de doação e transplantes, contribuindo para salvar vidas e oferecer novas oportunidades aos pacientes que aguardam por um órgão.
