Três meses após a realização da primeira telecirurgia robótica oncológica de longa distância do Sistema Único de Saúde (SUS), a tecnologia já permitiu a realização de 34 procedimentos a distância, além de 50 cirurgias robóticas no Hospital de Amor, unidade filantrópica que atende pacientes da rede pública.
Para o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, este avanço reforça a importância da integração entre conectividade, inovação e saúde pública.
“Tudo isso só é possível porque temos uma conectividade capaz de permitir que o robô seja movimentado em tempo real, com segurança e precisão. É a infraestrutura de telecomunicações trabalhando diretamente para melhorar o atendimento e ampliar o acesso da população à saúde e a tratamentos de alta complexidade”, reforçou.
A primeira telecirurgia foi realizada em 30 de junho para tratar um paciente com câncer de reto. O procedimento conectou, em tempo real, as unidades do hospital em Porto Velho (RO) e Barretos (SP), permitindo que a equipe médica acompanhasse e comandasse a cirurgia a quase 2.700 quilômetros de distância.
Nas cirurgias robóticas convencionais, o cirurgião permanece no mesmo hospital que o paciente. Já na telecirurgia, o profissional pode comandar o equipamento a distância, por meio de uma conexão de alta capacidade e baixa latência.
“Estamos incorporando novas tecnologias, como a cirurgia robótica, para oferecer tratamentos cada vez mais modernos e qualificados à população. A cirurgia robótica amplia as possibilidades de acesso ao levar a experiência de equipes especializadas a diferentes regiões do país, com segurança, precisão e qualidade no atendimento”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
O Hospital de Amor já registrou diferentes procedimentos com o uso da tecnologia nas áreas de urologia e ginecologia, incluindo cirurgias para tratamento de câncer de colo do útero (histerectomia), de próstata (prostatectomia) e de cólon e reto (retossigmoidectomia).
“A iniciativa demonstra como a expansão da infraestrutura de telecomunicações pode reduzir desigualdades regionais ao levar procedimentos altamente especializados para áreas distantes dos grandes centros, beneficiando pacientes atendidos exclusivamente pelo SUS”, ressaltou o ministro Frederico de Siqueira Filho.
Conectividade para operar a distância
Para a realização das telecirurgias é necessária uma estrutura específica de conectividade para garantir estabilidade e segurança durante os procedimentos. A parceria dos ministérios das Comunicações e da Saúde com o Hospital de Amor viabilizaram um protocolo específico de conectividade para telecirurgias robóticas.
“Fizemos essa parceria com o Ministério das Comunicações onde conseguimos conectar a plataforma robótica lá em Porto Velho. Com isso, ajudamos um médico de lá, que já sabe operar um robô, mas tem dificuldades técnicas, a melhorar o procedimento dele. Muitos pacientes com câncer foram beneficiados e puderam ir para casa mais cedo”, contou o médico cirurgião e diretor de Inovação do hospital, doutor Luis Romagnolo.
A infraestrutura conta com duas conexões independentes de fibra óptica, além de redundância em 5G e uma rede dedicada por VPN. O modelo foi desenvolvido para reduzir os riscos de interrupção da comunicação entre o cirurgião e o equipamento robótico.
Um dos parâmetros considerados para a operação é a latência abaixo de 100 milissegundos, tempo entre o comando realizado pelo cirurgião remoto e a resposta do robô no centro cirúrgico, padrão considerado essencial para esse tipo de procedimento.
Sobre o Hospital de Amor
Referência nacional em oncologia, o Hospital de Amor oferece atendimento 100% gratuito pelo SUS. Em 2025, realizou mais de 2 milhões de atendimentos, entre consultas, exames e procedimentos, beneficiando mais de 613 mil pacientes de 2.711 municípios brasileiros. A instituição atua nas áreas de prevenção, tratamento, pesquisa, ensino, reabilitação e inovação, sendo uma das principais referências em assistência oncológica da América Latina.
