Aplicativo religioso do Irã é invadido e mensagens como "A ajuda chegou" convoca população a se juntar à resistência
- Liliane Scaratti
- 13/04/2026
- Tecnologia
Relatório organizado pela brasileira Apura Cyber Intelligence analisa escalada de ataques cibernéticos no Conflito no Irã e mostra como aplicativos com milhões de usuários podem se tornar vetores da guerra.
Um aplicativo religioso amplamente utilizado no Irã foi comprometido em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. O caso é um dos destaques do relatório “Implicações cibernéticas da escalada dos conflitos no Irã”, organizado pela Apura Cyber Intelligence, que reúne evidências técnicas e análise estratégica sobre a dimensão digital do conflito.
De acordo com o documento, logo no primeiro dia dos ataques dos EUA e Israel ao Irão, o aplicativo religioso BadeSaba Calendar, popular entre os iranianos com mais de cinco milhões de downloads, foi invadido e passou a exibir mensagens de caráter psicológico e político para os usuários, como “A ajuda chegou” e “Hora da vingança”, além de convocações para que a população se juntasse à resistência. A ação é classificada como uma operação de supply chain e de guerra psicológica digital, explorando a uma ferramenta cotidiana de uso religioso.
O episódio demonstra como a guerra cibernética tem ampliado seus alvos para além de infraestruturas críticas tradicionais, alcançando aplicativos populares e serviços digitais de uso massivo. Segundo o relatório, ataques desse tipo buscam não apenas interromper sistemas, mas também influenciar narrativas, desinformar e mobilizar populações em contextos de conflito.
O levantamento conduzido pela Apura identifica ainda dezenas de grupos envolvidos e centenas de incidentes cibernéticos registrados em poucos dias, incluindo ataques de negação de serviço (DDoS) contra sites populares na região, ransomware, espionagem digital e comprometimento de aplicativos. Organizado pela equipe de inteligência da empresa, o relatório reúne indicadores técnicos, cronologia dos ataques, perfis dos principais grupos envolvidos e recomendações estratégicas para organizações que podem ser impactadas pela escalada do conflito.
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Segundo analistas da Apura, o uso de aplicativos populares em operações de guerra revela uma mudança importante no cenário de segurança cibernética, onde empresas de tecnologia também se tornam alvo de operações sofisticadas. "Isso reforça a importância de monitoramento constante e pró-ativo das ameaças cibernéticas e da necessidade de adotar estratégias de proteção cada vez mais robustas para plataformas amplamente utilizadas pela população", conclui Sandro Suffert, CEO da Apura.
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