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ECONOMIA

Crise STF x Varejo: 10 economistas alertam que queda inicial mantém 98% da Selic em patamar restritivo

"O Banco Central poderá avaliar um corte maior nas próximas reuniões, em torno de 0,50 ponto percentual", Valdir Piran Jr., CEO do Grupo Intra.

G
Gueratto Press 16/09/2026 às 21:20
Crise STF x Varejo: 10 economistas alertam que queda inicial mantém 98% da Selic em patamar restritivo
Reprodução/Internet

“O crescimento acumulado de 1,8% do varejo até julho indica uma recuperação gradual do consumo, mas ainda marcada por diferenças importantes entre categorias e perfis de consumidor. Para o setor encerrar 2026 com alta de 2%, será necessário que as vendas entre agosto e dezembro avancem em ritmo superior ao observado no primeiro semestre, sustentadas por melhora da confiança, maior circulação de renda e eventual redução das taxas de juros. O cenário global segue influenciado pela desaceleração das principais economias, pela política monetária dos bancos centrais e pela busca dos consumidores por produtos que entreguem valor percebido, qualidade e bem-estar. Dentro desse contexto, categorias ligadas ao esporte, saúde e estilo de vida acompanham uma mudança estrutural de comportamento, em que o consumidor passa a enxergar esses produtos não apenas como itens de compra, mas como parte de um investimento pessoal. A evolução do varejo nos próximos meses dependerá da combinação entre poder de compra, crédito e capacidade das marcas de se conectarem com novos hábitos de consumo”, Roberto Jalonetsky, CEO da Speedo Multisport.

“A alta de 1,8% até julho deixa o varejo próximo de encerrar 2026 com crescimento de 2%, mas a queda de 0,8% em julho mostra que esse resultado ainda não está garantido. Para alcançar a marca, as vendas entre agosto e dezembro precisariam avançar cerca de 2,3% sobre o mesmo período de 2025, acelerando aproximadamente 0,5 ponto percentual em relação ao ritmo acumulado até agora. O calendário favorece essa recuperação, porque concentra Dia das Crianças, Black Friday e Natal, mas os juros elevados mantêm o consumidor mais seletivo. Para a indústria, esse cenário exige precisão: pequenas mudanças no giro alteram rapidamente a programação das linhas, os estoques e a compra de insumos. Em higiene e cuidados pessoais, a recorrência de compra traz resiliência, mas não elimina a disputa por preço, qualidade e benefício percebido. A leitura mais provável é de um varejo crescendo próximo de 2% em 2026, desde que as datas do fim do ano convertam o consumo represado em volume efetivo de vendas”, Breno Grou, CEO da Sinter Futura.

“A queda de 0,8% do varejo, diante de uma expectativa de retração de apenas 0,2%, mostra que o efeito dos juros elevados sobre o consumo está acontecendo de forma mais intensa do que o mercado projetava. O dado reforça que a política monetária já atingiu uma parte relevante da economia real e pode abrir espaço para uma trajetória de cortes da Selic, mas uma redução para 13,75% ainda não representa uma mudança completa de cenário, já que o crédito permanece caro e os efeitos da política monetária aparecem com defasagem. Além disso, a instabilidade institucional envolvendo o STF aumenta a percepção de risco e pode manter pressionadas variáveis como juros futuros e câmbio, influenciando decisões de investimento. Para o mercado de venture capital, períodos de transformação econômica também criam oportunidades, principalmente para empresas inovadoras que conseguem ganhar eficiência, digitalizar setores tradicionais e resolver problemas reais de consumidores e negócios. O capital tende a buscar startups com modelos escaláveis, governança e capacidade de adaptação aos diferentes ciclos da economia”, Antônio Patrus, CEO da Bossa Invest.

“A retração de 0,8% no varejo, contra uma expectativa de queda de 0,2%, sinaliza que a desaceleração da atividade está vindo antes e com intensidade maior do que o mercado esperava. Esse movimento aumenta a discussão sobre o ritmo de cortes da Selic, mas a decisão do Copom continuará dependendo do equilíbrio entre atividade econômica, inflação e expectativas. Uma taxa de 13,75% representa um avanço na direção de juros menores, porém ainda mantém o custo financeiro elevado, principalmente nas operações de prazo mais longo. A instabilidade envolvendo o STF também permanece no radar dos investidores porque pode afetar a percepção de risco, pressionar a curva de juros e influenciar o custo de captação no mercado. Nesse ambiente, instituições financeiras precisam combinar eficiência operacional, segurança regulatória e tecnologia para oferecer estruturas mais robustas. A demanda por administração fiduciária, custódia, controladoria e soluções estruturadas tende a exigir cada vez mais precisão e governança em um mercado de capitais mais sofisticado”, Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos.

“O dado de julho precisa ser lido com alguma cautela: o varejo restrito caiu 0,8%, bem pior que o esperado, mas não houve uma retração uniforme do consumo. 5 das 8 atividades recuaram, com quedas fortes em móveis e eletrodomésticos e em livros e papelaria, enquanto o varejo ampliado cresceu 0,4% e as vendas ainda estão acima de julho do ano passado. O sinal, portanto, é menos de colapso do consumo como um todo e mais de perda de tração, especialmente em algumas categorias mais discricionárias e substituíveis. Isso reforça o espaço para o Copom reduzir a Selic para 13,75%, mas não significa que esse corte será suficiente para reverter o quadro: a política monetária continua restritiva e sua transmissão ocorre com defasagem. Além disso, o custo efetivo do crédito não depende apenas da Selic; se o ruído institucional e político-eleitoral continuar pressionando câmbio, juros longos e prêmio de risco, podemos ter a taxa básica caindo sem que o dinheiro fique proporcionalmente mais barato para famílias e empresas. Para o mercado, mais importante que o corte desta reunião será observar se as taxas finais de crédito acompanharão a queda da Selic ou permanecerão pressionadas, e quais medidas poderão reduzir o endividamento e outros vetores de comprometimento da renda das famílias que não se convertem em consumo corrente ou formação de patrimônio”, Cassio Viana de Jesus, CIO da Pilar Capital.

“A queda do varejo, bem pior que a expectativa de alta de 0,2%, reforça que os juros elevados já estão freando o consumo mais rapidamente que o mercado projetava e aumenta o espaço para novos cortes da Selic. Um corte na SELIC ajuda, mas ainda é insuficiente para mudar rapidamente esse quadro, porque o crédito continua caro e a transmissão da política monetária ocorre com defasagem. Além disso, a instabilidade institucional envolvendo o STF pode manter o prêmio de risco elevado, pressionando juros longos, câmbio e custo de financiamento. Para o mercado, o número favorece empresas mais sensíveis à queda dos juros, como varejo e construção, mas a melhora dos ativos depende também de uma redução do risco político e da curva longa de juros”, Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.

“A queda de 0,8% do varejo em julho, bem abaixo do que o mercado esperava, reforça que os juros elevados já estão chegando com mais força ao consumo. Foi o terceiro mês seguido de perda e 5 das 8 atividades recuaram. Ao mesmo tempo, eu teria cuidado para não interpretar um único dado como uma retração generalizada da economia, até porque o varejo ampliado ainda cresceu 0,4% no mês. O sinal mais claro, para mim, é de desaceleração e maior seletividade do consumidor. Esse resultado se soma à inflação mais favorável de agosto e dá conforto para o Copom reduzir a Selic em 0,25 ponto, para 13,75%. Mas, diante da perda de força do consumo e de uma inflação mais comportada, o Banco Central poderá avaliar um corte maior nas próximas reuniões, em torno de 0,50 ponto percentual. Ainda assim, não vejo o dado do varejo, isoladamente, como argumento suficiente para acelerar imediatamente o ciclo. Inflação de serviços, expectativas, câmbio e cenário externo continuam recomendando cautela. Um corte para 13,75% ajuda, mas está longe de ser suficiente para reverter rapidamente o quadro do consumo ou do crédito. Estamos falando de uma redução de apenas 0,25 ponto em uma taxa que continuará muito elevada. Caso os próximos indicadores confirmem a desaceleração da atividade e uma trajetória mais favorável da inflação, cortes de 0,50 ponto poderão acelerar o alívio na política monetária. Ainda assim, o custo final para empresas e consumidores não depende só da Selic. Depende de inadimplência, alavancagem, qualidade do tomador, liquidez e prêmio de risco. Por isso, a taxa básica pode cair e o crédito continuar caro por algum tempo. A instabilidade institucional também merece atenção, mas eu não colocaria o STF como o principal responsável pelo custo do crédito. O efeito acontece de forma indireta: quando aumenta a percepção de risco do país, podemos ter pressão sobre câmbio, juros futuros e custo de capital. Isso acaba limitando parte do benefício da queda da Selic. Hoje, inclusive, o mercado acompanha ao mesmo tempo o Copom, o cenário externo e a crise no STF, com reflexos sobre dólar e juros futuros. Minha leitura é que o Banco Central já tem espaço para continuar o processo de redução de forma gradual e, se os próximos dados confirmarem a perda de ritmo da economia, poderá ampliar o corte para cerca de 0,50 ponto percentual. O alívio para a economia real, porém, será mais lento. Para o varejo, empresas mais dependentes de crédito, bens duráveis e consumidores mais endividados tendem a sentir primeiro. E, para quem concede crédito, o momento ainda exige bastante seletividade: juros menores ajudam, mas não substituem capacidade de pagamento e qualidade de balanço”, Valdir Piran Jr., CEO do Grupo Intra.

"A queda de 0,8% nas vendas do varejo em julho, contra uma expectativa de recuo de apenas 0,2%, mostra que o efeito da política monetária restritiva está chegando à economia real de forma mais intensa. O consumidor brasileiro ainda mantém capacidade de compra, mas começa a postergar decisões que dependem de crédito, especialmente bens de maior valor agregado, como móveis, eletrodomésticos e outros produtos financiados. Esse movimento reforça a percepção de que a economia entrou em uma fase de desaceleração gradual, com os juros elevados cumprindo o papel de reduzir a demanda e reequilibrar a inflação. Esse cenário aumenta o espaço técnico para uma continuidade do ciclo de cortes da Selic, mas não significa uma mudança imediata nas condições financeiras. Uma redução para 13,75% ao ano representa uma sinalização importante do Banco Central, porém o custo do crédito continua elevado em termos históricos e a transmissão da política monetária ocorre com defasagem. Para investimentos e gestão patrimonial, o momento exige uma análise mais cuidadosa da relação entre risco, retorno e liquidez, já que a queda dos juros tende a alterar a atratividade relativa entre renda fixa, crédito privado e ativos de maior volatilidade. A instabilidade no STF também entra no radar porque influencia diretamente a formação das expectativas econômicas. Um ambiente de maior incerteza pode pressionar câmbio, curva de juros futuros e prêmio de risco, fazendo com que investidores exijam maior remuneração para financiar determinados ativos. O mercado passa a acompanhar não apenas a decisão do Copom, mas a capacidade de o país manter uma trajetória de previsibilidade econômica", Gustavo Assis, CEO da Asset.

“O resultado do varejo mostra que o consumidor está mudando sua relação com o dinheiro. A queda de 0,8% em julho, 8 vezes acima da expectativa inicial de -0,1%, indica que empresas precisam olhar além do volume de vendas e entender como comportamento, crédito e tecnologia estão transformando a jornada de consumo. A desaceleração não ocorre apenas pela menor demanda, mas também por uma decisão mais racional das famílias diante de um ambiente de juros altos. A possível redução da Selic para 13,75% pode criar um ambiente gradualmente mais favorável para crédito e investimentos, mas a retomada dependerá da capacidade das empresas de oferecer soluções mais eficientes. A queda dos juros, sozinha, não garante aumento do consumo se modelos financeiros continuarem pouco acessíveis ou burocráticos. A questão institucional também influencia o ambiente econômico porque empresas e investidores tomam decisões considerando previsibilidade. Em momentos de maior volatilidade, cresce a busca por eficiência operacional, automação e novas formas de relacionamento financeiro com clientes”, Letícia Moschioni, Sócia da Finscale.

“O dado do varejo brasileiro reforça uma tendência observada em diversas economias: juros elevados continuam sendo um dos principais mecanismos de ajuste da demanda. A queda de 0,8% em julho, contra uma expectativa de apenas -0,1%, mostra que o consumidor brasileiro respondeu mais rapidamente ao aperto monetário do que o mercado previa. A expectativa de corte da Selic para 13,75% acontece em um momento em que bancos centrais globais também avaliam o equilíbrio entre inflação e crescimento. No Brasil, a decisão do Copom precisa considerar não apenas a atividade doméstica, mas também fatores externos como trajetória dos juros americanos, dólar e fluxo internacional de capital. A crise no STF adiciona volatilidade ao mercado porque pode alterar a percepção dos investidores sobre risco Brasil. Em um cenário global ainda sensível a mudanças políticas e econômicas, a diversificação internacional ganha importância para investidores que buscam reduzir concentração em um único mercado”, Fábio Murad, Consultor da Wiser Asset.

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