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50 Anos

Festival Lambateria celebra os 50 anos da lambada com edição especial em Belém

Com patrocínio da Vale via Lei Rouanet, tradicional evento da quadra nazarena reúne expoentes da música latino-amazônica, estreias nacionais, homenagens e conexões internacionais

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Rafaella Murad 19/09/2026 às 21:24
Festival Lambateria celebra os 50 anos da lambada com edição especial em Belém
Divulgação

O Festival Lambateria realiza sua edição comemorativa no dia 9 de outubro de 2026, em Belém, no Pará, para celebrar os dez anos de fundação e os cinquenta anos da lambada no mercado fonográfico. Tradicionalmente integrado ao calendário da quadra nazarena que antecede o Círio de Nazaré, o evento conta com o patrocínio da Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), com realização da Lambada Produções, do Ministério da Cultura e do Governo do Brasil. O festival foca na difusão da música latino-amazônica e caribenha, reunindo gêneros como carimbó, brega, guitarrada, merengue, cumbia e tecnobrega.

O show principal da noite será comandado pelo guitarrista, pesquisador e produtor musical Félix Robatto, idealizador do projeto. A apresentação terá participações especiais da cantora e compositora guianense Lia Sophia e da artista peruana Rossy War, que se apresenta acompanhada de seu guitarrista e compositor Tito Mauri. A presença internacional dá continuidade à linha de intercâmbio do festival, que em edições anteriores trouxe à capital paraense nomes estrangeiros como Les Aiglons, de Guadalupe, Los Mirlos, do Peru, e Mister Gato, da Argentina.

A programação de 2026 divide-se entre estreias de repercussão nacional, tributos e novos expoentes da periferia amazônica. O cantor Adilson Ramos, referência do cancioneiro romântico e dos bailes da saudade, e a banda de brega pop Companhia do Calypso, atualmente sob o comando das cantoras Fênix Ribeiro e Paulinha Miranda, realizam suas estreias no palco do evento. O festival também apresenta uma homenagem ao músico uruguaio Daniel Benitez, falecido, que integrou o grupo Warilou e colaborou com a consolidação da sonoridade latina no norte do país. O tributo será liderado pelo multi-instrumentista Bruno Benitez, filho do artista, com participação especial do cantor Fernando Belém.

A nova geração e as produções fonográficas recentes ganham espaço com os grupos de carimbó Batucada Misteriosa, de Icoaraci, que lança o álbum Até Quase Morrer, e Toró Açu, do Quilombo do Abacatal, com o disco Mandinga do meu Avô. O cantor Jeff Moraes apresenta o repertório de seu novo EP, intitulado Laje Tropical, e o circuito se completa com a apresentação da banda Warilou. A cultura de pista e o movimento de periferia ganham destaque com a performance da tradicional aparelhagem Mega Príncipe Negro, que convida o cantor Naré ao palco. A discotecagem fica a cargo dos DJs Zek Picoteiro e Estamyna, que comandam o concurso de dança Seu Godofredo para premiar o casal vencedor em dinheiro.

Iniciada em 16 de junho de 2016, a Lambateria surgiu a partir da experiência do projeto Quintarrada, realizado entre 2014 e 2016 para fomentar a guitarrada paraense. O evento começou como uma programação semanal em Belém destinada a resgatar os bailes de gêneros tradicionais da região. Ao longo de dez anos de atividade contínua, o palco serviu de plataforma de lançamento para novas bandas do circuito nortista e recebeu nomes consolidados da música nacional, como Dona Onete e Gaby Amarantos. O Festival Lambateria 2026 conta com financiamento público federal e apoio institucional para a valorização da cultura da região Norte.

Sobre a Vale

A Vale acredita que a cultura transforma vidas. Pelo quinto ano consecutivo é a maior apoiadora privada da Cultura no Brasil, patrocinando e fomentando projetos em parcerias que promovem conexões entre pessoas, iniciativas e territórios. Seu compromisso é contribuir com uma cultura cada vez mais acessível e plural, ao mesmo tempo em que atua para o fortalecimento da economia criativa.

Serviço:

Festival Lambateria 2026 – Edição de 10 Anos

com Félix Robatto, Lia Sophia, Rossy War, Adilson Ramos, Companhia do Calypso, Warilou, Bruno Benitez, Fernando Belém, Batucada Misteriosa, Toró Açu, Jeff Moraes, Mega Príncipe Negro, Naré, DJ`S Zek Picoteiro e Estamyna

9 de outubro de 2026 (Sexta-feira)

Nabêra - Rua São Boaventura, 268 Cidade Velha (Belém - PA

Ingressos: Lote especial 10 anos a R$ 50; Lote promocional a R$ 60; 2º lote a R$ 70; 3º lote a R$ 90; 4º lote a R$ 100; Ingresso inteiro a R$ 120.

Vendas antecipadas: Plataforma Sympla, sujeito à taxa do aplicativo.


SOBRE OS ARTISTAS

Link para as fotos dos artistas: Fotos Artistas 


Félix Robatto


Félix Robatto, além de idealizador da festa, é guitarrista, pesquisador da música latino-amazônica e vem se destacando como produtor musical no cenário nacional e internacional. Seu trabalho mostra uma música contemporânea paraense construída a partir de elementos da Guitarrada/Lambada, Surf Music, música latina e Pop. Nascido em Belém do Pará, suas músicas falam do cotidiano paraense, de símbolos regionais, mas com um toque universal. A música feita pelo artista é feita para dançar, grande influência de seu grande ídolo, Mestre Vieira. No festival, apresentará um repertório com músicas icônicas que fazem parte da história da Lambateria e também celebrará os 50 anos da Lambada, gênero musical que a festa carrega no nome.


Lia Sophia


Cantora, compositora, instrumentista, produtora e pesquisadora musical, Lia Sophia nasceu na Guiana Francesa mas iniciou sua carreira em Belém do Pará, sob a influência da cultura amazônica e caribenha. Assina obra sofisticada e contemporânea que mistura ritmos da floresta às batidas internacionais criando uma música original e dançante. Com 6 álbuns lançados, 10 singles, 1 EP, 1 DVD ao Vivo, 10 clipes e 7 músicas em trilhas de novelas e seriados da TV Globo, cantou com Zeca Baleiro, Fafá de Belém, Pinduca, Pedro Luís, Ney Matogrosso, Zélia Duncan e Paulinho Moska. Indicada ao 29o Prêmio da Música Brasileira como Melhor Cantora (2018), conta com mais de 250 mil seguidores em suas redes sociais, e mais de 30 milhões de visualizações no seu canal no Youtube.


Rossy War


Nascida em 3 de janeiro de 1966 no povoado de Lago Valencia (Madre de Dios), Rossy War — conhecida como "La Ronquita de la Technocumbia" — é a cantora peruana com maior volume de vendas de discos no país e, ao lado de seu marido e produtor Tito Mauri, a criadora do gênero *technocumbia*. Com sucessos como "Nunca Pensé Llorar", "Que te Perdone Dios" e "Amor Prohibido", ela liderou, à frente da banda La Banda Kaliente, o maior boom da música tropical peruana dos anos 90, alcançando projeção na América do Sul, América Central, nos EUA e na Europa.


Adilson Ramos


Adilson Ramos de Ataide, nascido em Campo Grande, Rio de Janeiro, apaixonou-se muito cedo pela música. Entre idas e vindas, em 1977 gravou o disco de sua vida, tendo vendido milhões de cópias que o imortalizou com o “pout-pourri” dos maiores sucessos seus na década de 60. Em 1985 veio à consagração total com "Só Liguei Porque Te Amo", versão da música "I Just Call To Say I Love You" de Stevie Wonder, tema do filme "A Dama de Vermelho". No ano seguinte, gravou o LP "O Iluminado", que teve como o maior sucesso à música "A Chuva me Lembrou Você". Radicado em Recife, atualmente tem rodado a Região Nordeste com seu show baseado no seu segundo DVD, com um repertório que contempla algumas músicas pedidas pelo público e que já fazem sucesso há tempos. Adilson Ramos é considerado o Rei das Serestas e sua presença é constante nos festivais de Jovem Guarda.


Companhia do Calypso


Uma das grandes representantes da música paraense no momento, a Banda Companhia do Calypso, entre músicos, técnicos, produtores e motoristas, tem uma equipe permanentemente de 30 pessoas na estrada. A banda nasceu em 2002 da parceria de um projeto da gravadora Som Livre, sendo a primeira banda do ritmo Calypso a ser lançada em rede nacional. Ao longo do caminho, a Companhia do Calypso se tornou uma das maiores vendedoras de CD do Brasil, e consolidou a música do Norte nos corações dos brasileiros, apresentando ao povo do Brasil a riqueza de artistas e talentos do Estado do Pará. É nessa mistura de ritmos dançantes e canções que falam da felicidade e dos infortúnios do amor que são reunidos Carimbó, Salsa, Merengue, Zouk e tantos outros estilos que fazem parte da rica cultura popular paraense. 


Bruno Benitez


Com sangue Latino-Amazônico nas veias, Bruno Benitez mistura os sons da floresta com os ritmos latinos, juntando as duas matrizes sonoras que formam sua ancestralidade. Influenciado pelo pai, Daniel Benitez, músico uruguaio que por mais de 30 anos atuou como músico e produtor nos palcos e estúdios paraenses, Bruno se aprofundou na pesquisa e experimentação sonora destes dois universos, enxergando a Amazônia brasileira como parte do território latino-americano.


Fernando Belém


Conhecido como Rei do Merengue, Fernando Belém nasceu em  Abade (Curuçá), e foi para a capital paraense para apostar na carreira musical. Em sua trajetória, Fernando morou no Caribe, ganhou Disco de Ouro, e foi considerado o melhor cantor do Pará em 1993 e 1994. Ele também fez parte de um marco da cena brega paraense dos anos 1990 com o projeto Brega Pai d’égua, série de apresentações na casa de show Xodó, em parceria com a TV Liberal. Fernando Belém foi contratado pela Gravadora GRAVASSOM. Fernando criou o selo Colibri do Norte, dando oportunidades a outros artistas.


Batucada Misteriosa


Batucada Misteriosa é um conjunto de carimbó paraense fundado em 11 de dezembro de 2016, a partir das rodas de carimbó do Espaço Cultural Coisas de Negro, em Icoaraci, e do Espaço Cabano/Chalé do Moreno, na Ilha de Cotijuba. Influenciado por mestres e mestras do distrito, o grupo mantém vivo o jeito icoaraciense de fazer carimbó. Tendo o carimbó como base, constrói uma sonoridade que une tradição e experimentação, incorporando instrumentos elétricos sem descaracterizar seus fundamentos. O trabalho se ancora na herança dos mestres e mestras, reafirmando o carimbó como expressão ancestral em constante movimento.


Toró Açu


A banda Toró-Açu, formada no ano de 2016 no território quilombola de Abacatal, em Ananindeua (Pará), traz como objetivo maior manter vivas suas raízes quilombolas, sua musicalidade e sua voz como uma ferramenta de resistência cultural, representativo de todo um povo, erguendo a arte como estandarte de sua origem, ao ritmo do carimbó e outros tambores. A terra, titulada e regulamentada desde 1999, não é apenas um endereço. É resistência contra a urbanização desordenada, contra o apagamento, contra a violência que tenta transformar herança em commodity. A banda não apenas canta sobre o território; ela é feita dele. Cada acorde é um mapa. Cada refrão, uma demarcação afetiva. Em 2019, o EP “O Caminho das Pedras” chegou como um primeiro suspiro coletivo, consolidando o grupo no cenário cultural paraense e amazônico. Foi com “Mandinga do Meu Avô”, o primeiro álbum completo, gravado no Pupunã Estúdio sob a produção sensível de Félix Robatto e com participações especiais de Félix Robatto e Iris da Selva, que a Toró-Açú revelou sua profundidade oceânica.


Jeff Moraes


Na mistura de ritmos amazônicos com paixão, Jeff Moraes é um artista que transcende fronteiras. Com mais de uma década de carreira, ele convida o público a mergulhar nas influências da música amazônica. Jeff já passou por festivais como Festival dos Povos da Floresta, Virada Cultural,Serasgum, Mangueirosa e Psica, já dividiu o palco com o Ile Aiyê e Daniela Mercury. Em 2023, criou o bloco "Minha Boca Treme", que sacudiu a folia belenense. Sua energia contagiante e talento o consolidaram como um dos principais artistas da cena musical do Norte. Sua trajetória, no entanto, vai além da região: já dividiu o palco com nomes renomados como Carlinhos Brown e Iza, no Bloco Foliassa da Devassa, no circuito Barra/Ondina em Salvador. Também levou sua turnê "Tambor e Beat" para os palcos do Rio de Janeiro e São Paulo. Além da música, Jeff se destaca como apresentador, com programas como "Sons do Pará" e "Bora Lá", da Tv Liberal (afiliada à Rede Globo), e da série premiada "Papo de Raiz"


Warilou


Fundada no final dos anos 90, a banda Warilou se tornou uma das mais importantes do estado, se apresentando em todo o Brasil. A banda tem seu ritmo influenciado pela lambada, guitarrada, zouk e carimbó foi um dos grandes sucessos no Pará e fora do estado na década de 90 e emplacou sucessos como “Warilou”, “Tudo isso é amor”, “Brilho Sensual” e “Luz do Mundo”.  Produzida pelo músico Manoel Cordeiro, tem a frente João Batista Marçal (Joba), Suelene de Oliveira e Nicinha Vicari.  A escolha do nome da banda surgiu de uma gíria usada nos estúdios onde os integrantes atuavam: “warilou” significa “está tudo bem” e é utilizado pela banda como um sinônimo para a alegria. Nesses 32 anos de carreira, por oito a banda parou. Cada músico seguiu seu caminho em outros projetos. Em 2012, um show provocou a retomada e veio a certeza: para os fãs famosos ou anônimos, era como se o tempo não tivesse passado e aquela lacuna de quase uma década não tivesse existido.


Mega Príncipe Negro - Aparelhagem


Em Belém, no ano de 1976, no bairro do Jurunas, surgiu a aparelhagem de som Príncipe Negro, de propriedade de João Campos, que tinha na equipe os filhos Lucival (Controlista) e Lúcio (Controlista e Técnico de som) que contavam com os serviços de Jorge Barão (Discotecário e locutor). Hoje, com mais de 30 anos de carreira comandando os shows de aparelhagens no Pará, os experientes e renomados DJs EDILSON & EDIELSON apresentam performances envolventes, interatividade com o público e um grande repertório musical com o melhor do brega. Para 2026, a dupla promete o lançamento do novo Mega Príncipe Negro O Garanhão da Amazônia. A nova aparelhagem terá o comando dos DJs em formato de um cavalo robótico (garanhão), com uma ideia inspirada nas belas histórias das realezas, onde seus príncipes saiam de seus castelos montados em seus belos e robustos cavalos comandando a tropa em suas batalhas. Também está previsto para 2026 a gravação do audiovisual Nossa História e o Aniversário de 50 Anos da aparelhagem.



Zek Picoteiro


Zek Picoteiro (Ezequias Ferreira Nascimento) é DJ, pesquisador fonográfico, curador e diretor criativo. Homem negro, criado na periferia de Belém e radicado na vila de Alter do Chão (Santarém-PA), Zek consolidou-se na última década como um mediador importante entre a ancestralidade viva da cultura popular tradicional e a tecnologia da música eletrônica contemporânea na Amazônia. Atuando na intersecção entre o artivismo territorial e o mercado da música, ele reposiciona os gêneros periféricos do Norte como uma indústria criativa tecnológica, complexa e autossustentável, subvertendo o rótulo limitante de “música regional”. Como DJ com mais de dez anos de estrada, Zek transforma a pista de dança em um espaço de celebração política e imersão etnomusicológica. Seu set é um manifesto vivo que costura Tecnobrega, Beiradão, Cumbia, Lambada, Merengue, Carimbó, Boi-Bumbá e Marabaixo. Longe do exotismo caricato, as batidas periféricas são tratadas como engenharia sonora de ponta.


Estamyna 


DJ Estamyna é uma artista nortista que representa a força feminina através da música, atuando há 6 anos no cenário profissional. Seu trabalho é marcado pelo compromisso com a valorização cultural da Amazônia e por sets vibrantes que misturam ritmo, identidade e diversão. Ela exalta a cultura nortista ao mesclar o som de aparelhagem com o brega e suas ramificações, carimbó, música de boi e ritmos latinos como cumbia, merengue e lambada, além de combinar lançamentos atuais com clássicos atemporais da música brasileira para criar um repertório dinâmico e dançante.

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