Entre os dias 13 e 22 de setembro, equipes do Instituto de Desenvolvimento Rural do Amapá (Rurap) percorrem aldeias indígenas do município de Oiapoque, levando assistência técnica, orientações e informações sobre políticas públicas voltadas ao fortalecimento da produção, geração de renda e segurança alimentar às comunidades.
A ação reúne ações dos projetos de Assistência e Extensão Rural voltada aos povos indígenas (Ater 1 e 2), realizados pelo Governo do Amapá, gerenciado pelo Rurap, em parceria com a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) e órgãos do Governo Federal.
Nessa etapa, a iniciativa deve alcançar aproximadamente 65 aldeias. O trabalho contempla o cadastramento de famílias e agricultores, a socialização de diagnósticos socioeconômicos e produtivos, a orientação para elaboração de projetos e a preparação das comunidades para o início do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) Indígena.
Nesta etapa, o atendimento foi dividido em quatro equipes, que percorreram comunidades ao longo da BR-156 e nas regiões dos rios Curipi, Uaçá e Urucauá, alcançando aproximadamente 65 aldeias. Uma nova etapa está prevista para contemplar comunidades da região do rio Oiapoque.
O Ater Indígena 2 prevê o atendimento de aproximadamente 1 mil famílias indígenas. O projeto também contempla ações emergenciais para o enfrentamento e a mitigação dos impactos provocados pela vassoura-de-bruxa da mandioca, doença que tem afetado a produção nas comunidades.
Desde o início do programa, no final de julho, cerca de 340 famílias já foram cadastradas para receber o Fomento Produtivo do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).
Durante as visitas, as equipes do Rurap realizam o cadastramento de famílias remanescentes. De acordo com o coordenador do Ater Indígena, Milton Miro, a atuação nas aldeias busca aproximar as famílias das políticas de fomento, possibilitando o desenvolvimento das comunidades.
"Por meio desses programas, as famílias têm acesso à orientação técnica e à inclusão nos programas ofertados pelo governo, contribuindo para a melhoria das suas condições socioambientais e econômicas", explicou.
Os impactos da vassoura-de-bruxa da mandioca afetaram uma das principais atividades produtivas das comunidades indígenas do Oiapoque. Na aldeia Manga, o cacique Wagner dos Santos de Karipuna, destaca a importância do acompanhamento técnico para a retomada das roças.
"Estamos muito felizes com o trabalho do Rurap dentro do nosso território. Passamos por um momento muito difícil com a vassoura-de-bruxa e perdemos grande parte da nossa produção de mandioca. Com o apoio do fomento e da assistência técnica, estamos retomando nossas roças e fortalecendo novamente a produção das nossas famílias", pontua a liderança indígena.
Outra frente importante da ação é a preparação para o PAA Indígena, com previsão de início para a segunda semana de outubro. O programa contará com R$ 1,7 milhão do MDS para a aquisição da produção dos agricultores familiares indígenas.
Até o momento, aproximadamente 200 agricultores indígenas já manifestaram interesse e foram cadastrados para participar do PAA Indígena. A proposta é integrar a produção das comunidades às políticas de segurança alimentar.
Também poderão participar famílias que trabalham com extrativismo e possuem produtos disponíveis de acordo com o período de safra, como o açaí. A produção será adquirida e destinada às próprias comunidades e o PAA Indígena deverá funcionar de forma regionalizada, com a realização de feiras em aldeias-polo, facilitando o deslocamento dos produtores e a entrega dos alimentos.
