A conveniência aumenta quando assistentes passam a acessar mensagens, documentos, compras e compromissos, mas também crescem os riscos relacionados à privacidade, à autonomia e ao controle das decisões.
O avanço dos assistentes de inteligência artificial pode transformar a forma como as pessoas utilizam smartphones e outros dispositivos. Em vez de acessar diferentes aplicativos para realizar tarefas, os usuários poderão informar diretamente o que desejam, enquanto a IA coordena os serviços necessários.
Para Celso Camilo, doutor em Inteligência Artificial e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), a ideia do fim dos aplicativos representa, principalmente, uma mudança na maneira como os serviços digitais são acessados.
“O fim dos aplicativos é uma expressão provocativa, mas o que está realmente em curso é uma mudança na forma como as pessoas acessam os serviços digitais. Em vez de abrir diferentes programas, preencher campos e repetir comandos, o usuário poderá simplesmente informar o que deseja, enquanto a inteligência artificial coordena as etapas necessárias”, explica.
Segundo o especialista, aplicativos e páginas da internet provavelmente não desaparecerão no curto prazo, mas poderão deixar de ocupar o centro da experiência digital.
“Eles poderão passar a funcionar como uma infraestrutura quase invisível por trás dos assistentes inteligentes. Essa mudança representa um avanço importante, mas também eleva consideravelmente a responsabilidade dos sistemas”, afirma.
O professor destaca que uma inteligência artificial que apenas responde a perguntas possui alcance limitado. O cenário muda quando agentes inteligentes passam a consultar mensagens, interpretar compromissos, acessar documentos, realizar compras ou compartilhar informações entre dispositivos.
“Qualquer erro pode produzir consequências concretas. Por isso, a evolução da IA agêntica e proativa depende não apenas de modelos mais eficientes, mas também de regras claras sobre permissões, rastreabilidade, segurança, possibilidade de revisão e responsabilidade pelas decisões tomadas”, ressalta.
Para Celso Camilo, o principal desafio será conciliar conveniência, autonomia e segurança. Quanto mais o smartphone antecipar escolhas e organizar silenciosamente a rotina, maior poderá ser o risco de o usuário não compreender quais dados foram utilizados ou por que determinada ação foi sugerida.
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“A tecnologia é requisitada pela sociedade para reduzir o esforço das tarefas e aumentar a produtividade, mas espera-se que as pessoas não sejam observadoras passivas das decisões da máquina. O melhor sistema não será aquele que faz tudo sozinho, mas aquele que compreende o contexto, explica suas ações e devolve ao usuário o controle final para intervenções conscientes”, conclui.
Sobre Celso Camilo
Celso Camilo é mestre e doutor em Inteligência Artificial e professor associado da Universidade Federal de Goiás. Com trajetória acadêmica e internacional, foi professor visitante na Carnegie Mellon University, nos Estados Unidos, entre 2015 e 2016; no Indian Institute of Technology Gandhinagar, na Índia, em 2022; e na Mohamed bin Zayed University of Artificial Intelligence, nos Emirados Árabes Unidos, em 2026.
Também representa o Brasil em fóruns globais de inovação e tecnologia e atua como pesquisador, consultor e palestrante. Entre as atividades realizadas, destaca-se uma apresentação no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, em Los Angeles.
O professor coordena ainda o desenvolvimento da GAIA, uma inteligência artificial aberta especializada em língua portuguesa. No setor privado, atua como conselheiro de empresas dos segmentos de transporte, educação, mercado imobiliário e capital de risco, conectando tecnologia e estratégia de negócios.
No setor público, ocupou posições estratégicas, como secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho, Ciência e Tecnologia de Goiânia e subsecretário de Tecnologia da Informação do Estado de Goiás. Nessas funções, trabalhou na implementação de políticas e projetos voltados à inovação, à digitalização e ao desenvolvimento econômico.
Mais informações:
ww2.inf.ufg.br/~celso/
