Entender por que um vídeo deu certo costuma exigir que marcas e criadores cruzem alcance, retenção, comentários e compartilhamentos em busca de um padrão. Uma nova ferramenta de inteligência artificial promete concentrar essa leitura em uma conversa e ainda sugerir o próximo passo, do tema ao roteiro. Ao encurtar esse caminho, o lançamento também muda uma fronteira menos visível: a plataforma deixa de apenas distribuir o conteúdo e passa a participar da decisão sobre o que será produzido.
Anunciado em 30 de setembro, o Edits Assistant será incorporado gradualmente ao Edits, aplicativo de criação e edição de vídeos do Instagram, e funcionará como um chat conectado ao histórico de desempenho da conta. Em vez de navegar por diferentes painéis, o usuário poderá fazer perguntas diretas sobre os próprios resultados e receber recomendações baseadas no comportamento de sua audiência.
Mas o que essa mudança representa para empresas que já utilizam as redes sociais como canais de comunicação, vendas e relacionamento? Para João Paulo Batista, executivo de Recursos Humanos com atuação em cultura e transformação organizacional, o primeiro impacto está na velocidade das decisões. “Na prática, isso reduz o tempo entre identificar um comportamento do público e transformar esse sinal em ação. Uma equipe pode ajustar uma campanha, testar outro formato ou reorganizar o calendário com muito mais rapidez”, explica.
A novidade chega em um momento em que a inteligência artificial já deixou de ocupar apenas uma função operacional no marketing. Uma pesquisa global realizada pela Canva em parceria com a Harris Poll revelou que 41% dos líderes da área enxergam a tecnologia como uma espécie de “diretora” dentro das equipes, enquanto 68% afirmam que a IA ampliou a participação do marketing nas decisões do negócio. O levantamento ouviu 1.415 profissionais de empresas com mais de 500 funcionários e mostra que as recomendações automatizadas começam a interferir não apenas na produção, mas também na forma como as organizações escolhem seus próximos movimentos.
É nesse avanço que o ganho de velocidade também muda a relação de poder. A mesma plataforma que define as regras de distribuição passa a interpretar o resultado e recomendar o passo seguinte. Para João, aproveitar a ferramenta exige preservar a capacidade de questioná-la. “Quando a recomendação começa a orientar calendário, verba ou cobrança por resultado, a decisão deixa de ser apenas técnica. É uma escolha de gestão e precisa continuar nas mãos das pessoas”, conclui.
Créditos: batistellabr | CO - Assessoria
