O governador do Amapá, Waldez Góes, assinou nesta quinta-feira (24) a demissão do agente da Polícia Civil Leandro da Silva Freitas, que será julgado em outubro como autor do homicídio da empresária Ana Kátia Silva, morta em 2020.
Em 2021, o Conselho Superior da corporação decidiu desligá-lo por embriaguez e uso indevido de arma institucional. Faltava a publicação do decreto no Diário Oficial do Estado, o que ocorreu nesta noite.
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Demissão Leandro Freitas — Foto: DOE/Reprodução
A empresária foi morta baleada em frente a casa de um dos filhos, na Zona Sul de Macapá. O principal suspeito da autoria é o policial civil, com quem ela estava se relacionando, segundo o Ministério Público (MP) do Amapá. O caso é considerado feminicídio.
Durante a instrução processual, que encerrou em setembro de 2021, à Vara do Tribunal de Júri, o agente assumiu que, antes de Ana Kátia ser baleada, ele efetuou dois disparos para o alto na rua da casa da empresária e que consumiu bebida alcoólica no dia do crime.
A Comissão do Processo Administrativo Disciplinar (PAD) considerou os disparos e consumo de bebida alcoólica uma infração gravíssima, recomendando a pena de demissão.
Dos 5 integrantes do conselho, 3 votaram concordando com a comissão, um votou contrariamente e um se absteve do voto por ter participado da instrução processual do caso.
"A análise dos fatos e aplicação da penalidade limita-se às consequências da conduta do servidor ao colocar-se em estado de embriaguez de forma imoderada e, ainda, com a arma institucional sob seu porte, assumiu, ao menos culposamente, a possibilidade de utilização por si ou por outra pessoa da arma", diz trecho da ata.
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Ana Katia Almeida da Silva foi morta a tiros no dia 8 de julho de 2020, em Macapá — Foto: Arquivo Pessoal
A família da vítima e a defesa do policial civil contrataram a reprodução da morte da empresária e há um conflito entre as duas versões para a autoria do crime.
Leandro foi preso na época do crime e chegou a ir para a prisão domiciliar, mas perdeu o benefício e voltou para o presídio. Ele negou ter tido a intenção de disparar contra Ana Kátia.
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A defesa dele tenta demonstrar que o disparo não teria sido feito por Leandro, mas pelo filho da vítima, Kadú Ribeiro. A versão é defendida ainda com uma reprodução em 3D feita este ano. Kadú nega as acusações e diz que tirou a arma da mão do policial para evitar novos disparos.
Entenda o caso
De acordo com a denúncia do MP, o policial civil foi quem matou Ana Kátia Silva com um tiro no peito, em frente à casa do filho da vítima. Segundo a polícia, eles tinham um relacionamento de cerca de 2 meses.
O crime, que ocorreu no dia 8 de julho de 2020, foi caracterizado desde o início como feminicídio. A perícia apontou que o tiro foi disparado a curta distância, a “queima roupa”.
O policial civil foi preso em flagrante e foi encaminhado para o Centro de Custódia Especial do Zerão, para onde foi levado por decisão da Justiça e também onde foi mantido por negativas de pedido de habeas corpus. Lá ele ficou até novembro de 2020, quando foi autorizada a prisão domiciliar.
Em setembro de 2020, a 1ª Vara do Tribunal do Júri de Macapá determinou a realização de exame de corpo de delito e perícia no celular do policial civil, à pedido da defesa.
Além disso, a Polícia Técnico-Científica (Politec) ficou de avaliar um ferimento em Leandro mencionado pela defesa, para identificar se foi provocado por disparo de arma de fogo e, se sim, qual a trajetória do projétil.
Ao mesmo tempo que Katia foi baleada, o policial também ficou machucado, mas na época do crime não foi esclarecido como ele foi ferido. Com perícias, a defesa do réu tentava desqualificar a acusação de feminicídio para homicídio simples.
Por Fabiana Figueiredo
Fonte: G1-AP
